Projeto no RS vai combater casos de reincidência de agressão contra a mulher (Jornal Agora – 15/04/2013)

A ideia do projeto ‘Metendo a Colher’ é conscientizar os agressores enquadrados na Lei Maria da Penha, além de educá-los para que não voltem a agredir

A Secretaria da Segurança Pública, por meio da Coordenadoria Penitenciária da Mulher, lança, amanhã, quarta-feira, 17, o projeto “Metendo a Colher”. Este servirá para combater a reincidência nos casos de violência contra a mulher. A ideia é conscientizar os agressores enquadrados na Lei Maria da Penha de que serão monitorados, mesmo em liberdade, além de educá-los para que não voltem a agredir.

O trabalho começará dentro da penitenciária, com entrevistas, traçando o perfil do agressor. A partir disso, serão feitos grupos em que uma equipe técnica irá educá-los e conscientizá-los sobre a gravidade de seu crime. “Normalmente, eles vêm de uma cultura familiar em que ninguém os alerta que bater em mulher é errado. Esse será o nosso papel”, explica a psicóloga Maristela Mostardeiro, uma das idealizadoras do projeto.

Ao saírem da cadeia, os homens continuarão com o acompanhamento de uma rede externa – Patrulha Maria da Penha, Escuta Lilás, Poder Judiciário, Ministério Público, entre outros, que trocarão informações em tempo real. “Muitos saem da detenção já com a ideia de vingança contra a mulher que os denunciou. Porém, queremos mostrar que eles estão sob o olhar do Estado, mesmo livres. Antes mesmo de serem soltos, a Patrulha Maria da Penha já será avisada e vai monitorá-los”, explica a coordenadora Penitenciária da Mulher, Maria José Diniz, também idealizadora do projeto.

A ação começará pelo Presídio Central, em Porto Alegre, onde há 45 detidos pela Lei Maria da Penha. A ideia é estender também às penitenciárias de Osório e de Arroio dos Ratos. O projeto é pioneiro no Brasil, existindo um nos mesmos moldes somente na Espanha.

O projeto Metendo a Colher também atenderá às mulheres presas que tenham sido vítimas de violência doméstica. “A maioria está detida por tráfico. Ocorre que os maridos ou filhos que estão presos as obrigam a trazer droga para dentro das penitenciárias, sob ameaças”, informa Maria José Diniz. “Costumam mandar recado ou alguém para agredi-las em casa. Então, essas mulheres acabam cedendo e terminam detidas. Temos que vê-las também como vítimas da violência”, disse.

Para que essas mulheres tenham autonomia e independência quando voltarem para casa, a Secretaria da Segurança Pública proporcionará cursos para conclusão dos estudos e também profissionalizantes. Receberão, ainda, apoio psicológico dentro dos presídios – inicialmente no Madre Peletier – para retomarem a autoestima.

Já em liberdade, elas serão encaminhadas para atividades nos Territórios de Paz, cursos e projetos do Estado, com o acompanhamento da Secretaria de Políticas para as Mulheres. “Queremos mostrar que elas podem se desvincular do agressor sem medo de não poderem sustentar a família sozinhas”, esclarece Maria José.

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