Quase 80% das vítimas de violência doméstica em Macapá foram agredidas mais de uma vez (G1 – 06/05/2019)

Dado foi extraído dos casos de agressões judicializados na capital. Promotoria da Mulher alerta que sem denúncia números podem ser maiores

A violência doméstica e familiar contra a mulher segue apresentando números alarmantes em Macapá, onde 1.307, de milhares de casos silenciosos, foram denunciados à Justiça. Na maioria deles, 77%, as vítimas revelaram que sofreram agressão mais de uma vez do companheiro, inclusive sendo violentadas após terem registrado a ocorrência.

Os números do diagnóstico da violência doméstica na capital foi apresentado pela Promotoria de Justiça da Defesa da Mulher, do Ministério Público do Amapá (MP-AP).

Entre os motivos que levam à reincidência dos parceiros, está a tentativa da mulher, que muitas vezes prefere acreditar na melhora de comportamento do companheiro ao invés de seguir até o final com a denúncia.

“Ela sofre primeiro a violência psicológica, que evolui para física, depois vai para uma fase em que o agressor tenta se desculpar, demonstra arrependimento, e muitas vezes a mulher acredita. E é nessa etapa que ela pede que sejam paralisados os procedimentos policiais e judiciais para dar mais uma oportunidade na retomada da relação”, detalhou a promotora Alessandra Moro.

Permanecer nesse ciclo, sem buscar denunciar as agressões, pode ocasionar consequências trágicas, como um crime de feminicídio, alertou a promotoria. O Monitor da Violência, projeto do G1 mostrou que o Amapá registrou quatro homicídios do tipo em 2018.

As informações sobre 2018 foram coletadas de inquéritos policiais e processos judiciais que transitam na Promotoria da Mulher, responsável pela elaboração do relatório.

A faixa etária de vítima e agressores, varia entre 26 e 35 anos. As agressões, na maioria dos casos, partem de pessoas em vulnerabilidade social, que recebem até um salário mínimo. Os principais criminosos são maridos ou ex-companheiros.

Metade das agressões praticadas foram lesões corporais, seguida por ameaças (33%) e injúrias (7%). A casa do casal continua sendo o local mais comum das violências, em 51% das ocasiões.

A pesquisa também revelou que o comportamento controlador, presença de crianças no núcleo familiar, separação ou tentativa, violência anterior e uso de drogas são fatores de aumentam o risco da agressão.

O bairro com mais casos registrados foi o Buritizal, na Zona Sul. Na mesma região, o Congós aparece como segundo local com maior incidência de violência doméstica contra mulher, ficando à frente do Novo Horizonte, na Zona Norte.

Ainda de acordo com a promotoria, são mais de 50 instituições de enfrentamento a violência doméstica. O relatório completo estará publicado a partir de segunda-feira (6), no site do Ministério Público do Amapá (mpap.mp.br).

Victor Vidigal

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