Rede de Professoras e Pesquisadoras da USP pelo fim da violência sexual e de gênero (Carta Maior – 29/02/2016)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

As situações que envolvem violência implicam mudanças na cultura instituída na universidade. Uma cultura que, muitas vezes, naturaliza a violência.

Para: Exmo. Sr. Reitor da Universidade de São Paulo: Prof. Dr. Marco Antonio Zago; Exmo. Sr. Vice-Reitor da Universidade de São Paulo: Prof. Dr. Vahan Agopyan; Exma. Sra. Pró-Reitora de Cultura e Extensão: Profa. Dra. Maria Arminda Nascimento Arruda; Exma. Sra. Coordenadora da ONU Mulheres:Profa. Dra. Eva Blay e Exmos. Srs. Membros do Conselho Universitário

Como professoras e pesquisadoras da Universidade de São Paulo, somos afetadas pelas questões da violência sexual e de gênero de várias formas. Sentimo-nos perplexas e indignadas diante do relatório da CPI da violência nas universidades, que registra a violência nas universidades estaduais paulistas, inclusive na USP; diante da perspectiva de que a Universidade possa formar e diplomar possíveis agressores; diante das demandas de nossas alunas, tanto no sentido da falta de acolhimento para situações de violência por elas vivenciadas, como também em relação à ausência de um posicionamento mais sistemático frente a este desafiador contexto.

Em abril de 2015 constituímos a Rede de Professoras e Pesquisadoras da USP pelo fim da violência sexual e de gênero. O objetivo da Rede é contribuir para o reconhecimento da violência sexual e de gênero como problema importante no contexto da vida universitária, bem como para seu enfrentamento, o que demanda ações de toda a comunidade e efetividade dos mecanismos institucionais.

Lembramos que nossa ação coletiva tem se direcionado para promover ações de educação e sensibilização que favoreçam o reconhecimento e enfrentamento da violência sexual e de gênero; contribuam para o aperfeiçoamento dos regulamentos e mecanismos institucionais que levem à responsabilização dos agressores e à eliminação da violência; estimulem a criação de redes de solidariedade e a organização das mulheres; e criem espaços de escuta, acolhimento e encaminhamentos para pessoas que sofrem e denunciam violência sexual e de gênero, uma vez que recebemos denúncias e relatos que confirmam ocorrências de violência na Universidade envolvendo alunas e alunos de diferentes Unidades. Nesse sentido, preocupa-nos especialmente os casos de violência no CRUSP. Avaliamos que a situação ali exige atenção extrema, uma vez que é o espaço de moradia de nossos estudantes.

Não temos condições e nem pretendemos sobrepor nossas ações a ações institucionais para o enfrentamento desses problemas. Como mulheres – servidoras públicas, professoras e pesquisadoras – estamos respondendo a um cenário que nos atingiu, mas esperamos da Universidade as medidas para criação de fluxos, espaços e mecanismos que possam solucionar o problema.

Por isso, solicitamos que a Reitoria possa garantir:

– a continuidade e a efetividade de processos já iniciados, como os casos de violência sexual ocorridos na Faculdade de Medicina e na Medicina Veterinária;

– a priorização do enfrentamento dos problemas no CRUSP, de modo que o Conjunto Residencial se torne exemplar de novas abordagens e procedimentos efetivos contra a violência sexual e de gênero no cotidiano universitário;

– a criação de mecanismos e espaços de denúncia, apuração e responsabilização, marcados por cuidado e sigilo;

– a efetivação de ações mais educativas e menos repressoras, dando centralidade às questões de gênero associadas aos contextos de violência.

As situações que envolvem violência são delicadas, matizadas e implicam mudanças na cultura instituída na universidade. Uma cultura que, muitas vezes, naturaliza a violência. Universidades consagradas na América do Norte e na Europa vêm incorporando o enfrentamento dos problemas de violência sexual e de gênero como parte essencial de sua função educacional e cultural. Elas têm divulgado sistematicamente princípios e procedimentos, baseados em conhecimentos produzidos por especialistas, e em processos bottom-up de criação de políticas com a participação de todos os sujeitos envolvidos na questão. Se as universidades são instituições especialmente vulneráveis a expressões de violência sexual e de gênero cabe a elas, como produtoras de conhecimento, gerar políticas exemplares que possam servir de referência para outras instituições e a sociedade democrática em geral.

Temos orientado as jovens que acolhemos para que, caso queiram, busquem os mecanismos institucionais que possam receber e encaminhar as denúncias, bem como o aparato institucional que vise oferecer suporte psicossocial para que consigam lidar com as consequências físicas e emocionais geradas pela violência.

Esperamos que a Universidade de São Paulo responda com competência ao desafio que se apresenta, incorporando dimensões pelas quais a excelência se traduza também em uma vida comunitária e acadêmica marcada por cuidado, proteção, cidadania e direitos humanos.

http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=redenaocala

Rede de professoras e pesquisadoras da USP pelo fim da violência:

Adriana Pedrosa Biscaia Tufaile EACH
Andrea Viude EACH
Angélica Chiappetta EACH
Bete Franco EACH
Bibiana Graeff Chagas Pinto Fabre EACH
Claudia Medeiros EACH
Cláudia Regina Garcia Vicentini EACH
Cristina Landgraf Lee EACH
Cynthia Harumy Watanabe Correa EACH
Flávia Noronha Dutra Ribeiro EACH
Gisele S. Craveiro EACH
Gislene Aparecida dos Santos EACH
Helene Mariko Ueno EACH
Ivana Brito EACH
Jacqueline Isaac Machado Brigagão EACH
Jaqueline Kalmus EACH
Luciana Maria Viviani EACH
Mariana Harumi Cruz Tsukamoto EACH
Michele Schultz EACH
Régia Cristina Oliveira EACH
Sandra Lucia Amaral de Assis Reimao EACH
Ursula Peres EACH
Esther Imperio Hamburger ECA
Ana Luiza Vilela Borges EE
Célia Sivalli EE
Emiko Yoshikawa Egry EE
Marina Peduzzi EE
Moneda Oliveira Ribeiro EE
Elisabeth de Mattos EEFE
Soraia Chumg Saura EEFE
Cintia Borges Margi EP – POLI
Maria Eugenia Gimenez Boscov EP – POLI
Ana Cláudia Castilho Barone FAU
Joana Mello de Carvalho e Silva FAU
Karina Oliveira Leitão FAU
Maria de Lourdes Zuquim FAU
Nilce Cristina Aravecchia Botas FAU
Sabrina Epiphanio FCF
Ana Elisa Liberatore S Bechara FD
Fabiana Cristina Severi FDRP
Claudia Pereira Vianna FE
Fabiana Augusta Alves Jardim FE
Lisete Regina Gomes Arelaro FE
Lucia Helena Sasseron FE
Maria Clara Di Pierro FE
Maria de Fátima Simões Francisco FE
Marilia Pinto de Carvalho FE
Marilia Pontes Sposito FE
Patrícia Dias Prado FE
Rosângela Gavioli Prieto FE
Fabiana Rocha FEA
Laura Valladão de Mattos FEA
Silvia Nova FEA
Natalia Nunes Ferreira Batista FEARP
Rosana C. M. Grillo Goncalves FEARP
Roseli da Silva FEARP
Ana Paula Soares da Silva FFCLRP
Annie Schmaltz Hsiou FFCLRP
Carla Guanaes Lorenzi FFCLRP
Elisabeth Spinelli de Oliveira FFCLRP
Francirosy Campos Barbosa Ferreira FFCLRP
Katia de Souza Amorim FFCLRP
Leda Verdiani Tfouni FFCLRP
Maria Aparecida Bena FFCLRP
Marina Rezende Bazon FFCLRP
Ana Claudia Duarte Rocha Marques FFLCH
Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer FFLCH
Ana Paula Hey FFLCH
Andrea Saad Hossne FFLCH
Angela Maria Alonso FFLCH
Deize Crespim Pereira FFLCH
Elisabetta Santoro FFLCH
Elizabeth Harkot de La Taille FFLCH
Eva Blay FFLCH
Fernanda Padovesi Fonseca FFLCH
Fraya Frehse FFLCH
Glória da Anunciação Alves FFLCH
Heloisa Buarque de Almeida FFLCH
Heloísa Pezza Cintrão FFLCH
Iris Kantor FFLCH
Junko Ota FFLCH
Laura Moutinho
LÉA FRANCESCONI
FFLCH
Lilia Katri Moritz Schwarcz FFLCH
Lucia Wataghin FFLCH
Marcia Arruda Franco FFLCH
Marcia Lima FFLCH
Maria Augusta da Costa Vieira FFLCH
Maria Célia Lima-Hernandes FFLCH
Maria Cristina Correia Leandro Pereira FFLCH
Maria das Graças de Souza FFLCH
Maria Helena Oliva Augusto FFLCH
Nadya Araujo Guimaraes FFLCH
Paula Regina Pereira Marcelino FFLCH
Rita de Cássia Natal Chaves FFLCH
Roberta Barni FFLCH
Rosangela Sarteschi FFLCH
Rose Satiko Gitirana Hikiji FFLCH
Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos FFLCH
Silvana de Souza Nascimento FFLCH
Sylvia Gemignani Garcia FFLCH
Tessa Moura Lacerda FFLCH
Valéria de Marcos FFLCH
Vima Lia de Rossi Martin FFLCH
Viviana Bosi FFLCH
Yudith Rosenbaum FFLCH
Ana Claudia C G Germani FM
Ana Flavia d’Oliveira FM
Carmita Abdo FM
Cintia Fridman Rave FM
Elizabeth Maria Freire de Araújo Lima FM
Fatima Correa Oliver FM
Hillegonda Maria Dutilh Novaes FM
Lilia Blima Schraiber FM
Marcia Thereza Couto Falcão FM
Maria do Patrocinio Tenorio Nunes FM
Maria Fernanda Tourinho Peres FM
Maria Ines B Nemes FM
Mariana Prioli Cordeiro FM
Marta Carvalho de Almeida FM
Marta Heloisa Lopes FM
Naomi Kondo Nakagawa FM
Olinda do Carmo Luiz FM
Patricia Coelho de Soarez FM
Renata Bertazzi Levy FM
Rosana Machin FM
Roseli Mieko Yamamoto Nomura FM
Sandra Maria Galheigo FM
Selma Lancman FM
Thais Mauad FM
Ana Cecilia Silveira Lins Sucupira FM/HC/IC
Debora Galvani FM/IP
Eliane Dias de Castro FM/TO
Constance Oliver FMRP
Elisabeth Meloni Vieira FMRP
Maristela Schaufelberger Spanghero FMRP
Nereida Kilza da Costa Lima FMRP
Rosa Wanda Diez Garcia FMRP
Tie Koide FMRP
Lilian Gregory FMVZ
Paula de Carvalho Papa FMVZ
Ana Estela Haddad FO
Angela Maria Belloni Cuenca FSP
Aurea Ianni FSP
Cristiane da Silva Cabral FSP
Dirce Maria Lobo Marchioni FSP
Laura Camargo Macruz Feuerwerker FSP
Maria Cristina da Costa Marques FSP
Marilia Cristina Prado Louvison FSP
Marly Augusto Cardoso FSP
Patricia Constante Jaime FSP
Simone G. Diniz FSP
Zilda Pereira da Silva FSP
Rita Ynoue IAG
Alessandra Fernandes Bizerra IB
Maria Cristina Arias IB

Acesse no site de origem: Rede de Professoras e Pesquisadoras da USP pelo fim da violência sexual e de gênero (Carta Maior – 29/02/2016)