Região de Campinas registra 20 feminicídios em 2018 e MP traça perfil dos casos no estado (G1 – 02/01/2018)

Quarenta e cinco por cento dos casos ocorrem após términos de relacionamentos e pedidos de separações.

A região de Campinas registrou 20 casos de feminicídios – crime de ódio contra mulher- em 2018.

E um levantamento do Ministério Público no estado aponta que 45% dos crimes ocorrem depois de separações ou pedidos de término de relacionamentos.

Campinas (SP) fechou o ano com seis casos registrados nas duas delegacias de defesa da mulher. Em 2017, foram 13 casos, sendo nove na chacina registrada no réveillon.

No último registro de 2018, Élida Paula, de 40 anos, foi morta com golpes de faca pelo ex-companheiro na frente do filho dela, de 12 anos. Ela tentava terminar o relacionamento e pedia para ele deixar o imóvel onde moravam.

O crime ocorreu no dia 26 de dezembro. Três dias depois, o suspeito, de 40 anos, foi preso e confessou o crime.

“O motivo da separação dela é pelo sofrimento que ela vinha tendo”, afirma uma familiar da vítima, que pediu para não ser identificada.

Ela lembra que chegou a ver Élida com ferimentos na boca, mas a vítima disse que estava em tratamento dentário em Alfenas (MG) ao comentar sobre os ferimentos aparentes na boca.

Élida Paula foi morta a facadas em Campinas — Foto: Reprodução/Facebook

Élida Paula foi morta a facadas em Campinas (Foto: Reprodução/Facebook)

Apanhava sempre

A manicure Tainá Raissa da Silva, de 24 anos, tem paralisia facial, que é resultado de um relacionamento que teve com um companheiro, que a agredia frequentemente.

“Ele chegou a me bater na maternidade. Ele sempre me agredia”, conta ela.

Hoje, ela não vive mais com ele, já que resolveu sair de casa com a filha, de 4 anos.

50 boletins por dia

A 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Campinas responde por 260 bairros, que concentram 70% dos casos de violência na cidade. São 50 boletins de ocorrência por dia. Em novembro, a DDM registrou 64 medidas protetivas, o dobro do normal.

Segundo a delegada da 2ª DDM, Maria Helena Taranto Joia, é preciso identificar o perfil do agressor.

“Sentimento de posse, o ciúmes exagerado, uma situação em que o homem tenta controlar o relacionamento. É o que nós mais observamos nos feminicídios”, declara a delegada.

Ainda em Campinas, o Aceamo faz acolhimento das mulheres vítimas de violência, com ajuda psicológica e jurídica.

A coordenadora do centro, Elza Frattini Montali, explica que tipo de atendimento eles fazem.

“Fazemos orientação e encaminhamentos para casos de divórcios, separação de bens, questão de guarda de filhos e visitas”

Quem precisa de ajuda pode fazer denúncia pelo telefone 180.

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