Registros de estupros é menor que o nº de casos, diz Polícia de Ji-Paraná/RO (Portal Espigão/RO – 10/01/2017)

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Apenas na primeira semana de janeiro de 2017, cinco casos de estupros contra mulher foram registrados na Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (DEAM), em Ji-Paraná, região central de Rondônia. Porém, para a delegada Renata Stella, o número de casos registrados, mesmo que alarmante, ainda é muito menor que o número de casos que realmente acontecem.

Em 2015, os crimes de violência sexual contra mulher chegaram a 30. Já em 2016, foram oito casos a mais. Para Renata, mesmo que as denúncias de crimes sexuais aconteçam diariamente, este número ainda é muito abaixo do número de crimes que acontecem e não são registrados.

“Muitas vítimas não denunciam e, às vezes, quando denunciam, demoram muito. Elas sentem vergonha do que as pessoas vão pensar delas mesmas e não de quem a agrediu. É muito difícil você extrair informações das vítimas”, explica.

A delegada alerta que, ao contrário do que muitos pensam, o crime de violência sexual não é caracterizado apenas quando há agressão física ou a penetração. “A maioria dos casos são crianças que contam que alguém passou a mão nas partes íntimas, tentam beijá-las a força, retirando a roupa dela, passam os órgãos sexuais nas partes íntimas da criança, ou em qualquer parte do corpo. Isso tudo caracteriza a violência sexual, não só o ato em si de penetração”, explica.

De acordo com a delegada, outro fator que dificulta as investigações são os casos em que não houve uma violência física, pois a comprovação dos casos é mais difícil de ser realizada por não ser possível comprovar com um exame de corpo de delito.

“Nestes casos, a palavra da vítima é muito importante. Entretanto, é a palavra dela contra a do acusado, que nunca assume a violência. Nestes casos, encaminhamos ao psicólogo que nos ajuda a comprovar se aquela criança foi não vítima de abuso sexual”, afirma.

No inicio de 2017, foram registrados cinco casos de estupros contra mulheres. Segundo Stella, a maior parte dos crimes registrados já aconteceram há algum tempo. As vítimas demoram a se manifestar, principalmente, quando a violência acontece no âmbito familiar e muitas vezes a criança não compreende que aquilo não é carinho e por isso, muitos casos são velados, se tornam rotineiros e, às vezes, nunca são descobertos pela própria família da vítima.

Para evitar essas situações, a delegada orienta aos pais e familiares a ensinarem às crianças os limites. “Os pais devem orientar o que pode ou não ser feito, o que é certo e errado, em quem pode ou não confiar. Ela já tem que ter noção do que pode ocorrer com ela, pois, se ela não tem essas noções, ela não sabe que estão sendo vítima de violência e assim, estes crimes nunca serão denunciados”, explica.

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