Reunião entre Roraima e Guiana discute políticas públicas para enfrentamento da violência contra a mulher (Boa Vista – 26/02/2016)

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Entre os temas de maior relevância discutidos na reunião do 5º Comitê de Fronteira Brasil Guiana, ocorrida nesta quarta-feira, 24, no município de Bonfim, foram definidas ações bilaterais entre os países nas áreas da Saúde, Educação, sanidade vegetal e violência contra a mulher. O Governo do Estado participou de forma ativa nos tópicos discussões que levaram à formulação de uma ata da reunião que registra as iniciativas de cooperações pretendidas com o País vizinho.

Durante o encontro, foram separadas delegações em comissões mistas de assuntos específicos, que discutiram a ata que agora servirá como guia para que cada instituição participante do evento oriente e posteriormente avalie as ações de políticas públicas na área da fronteira.

SAÚDE – Em relação à Saúde Pública na área fronteiriça, representantes do Ministério da Saúde do Brasil e Guiana e Sesau (Secretaria Estadual de Saúde) definiram que é imperativo um intercâmbio de dados entre os dois países. A diretora de vigilância epidemiológica da CGVS, Luciana Grisoto, explicou que isto viabilizaria a ajuda e o combate a doenças na região, principalmente aquelas que atingem de zonas tropicais de forma endêmica.

“Colocamos algumas situações como o controle de vetores como o Aedes aegypti. Em relação às vacinações, acertamos que iríamos programar data da multivacinação para que ocorra em consonância a deles. Sugerimos ainda que o controle vetorial seja feito na mesma época em que fazemos aqui para diminuirmos a infestação na fronteira. Isso é importante, porque não adianta muito se houver brechas em algum dos lados”, disse a diretora.

O responsável pelo setor de regulação internacional do Ministério de Saúde da Guiana, Dr. Colin James, adiantou que o órgão vai localizar os problemas relativos à zona fronteiriça dos dois países. “Vamos categorizar as áreas de acordo com doenças, considerando que na região tropical existe uma propagação mais fácil de enfermidades como a malária e a leishmaniose, e agora a iminência do zika vírus. Também iremos mensurar e compartilhar informação com nossos colegas brasileiros para facilitarmos esta comunicação”, relatou.

O Ministério da Saúde também se prontificou a realizar um treinamento para funcionários de órgãos guianenses e uma reunião mais aprofundada da comissão assessora binacional em Saúde na fronteira, que deve acontecer em abril e envolver todos os níveis de governo.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER – A coordenadora estadual de políticas públicas para as mulheres em Roraima da Setrabes (Secretaria Estadual de Trabalho e Bem Estar Social), Eva Barros Ferreira, explicou que a comissão tenta estabelecer uma parceria para trabalhar o assunto dentro do âmbito internacional. Ela se reuniu com representantes do Ministério de Proteção Social da Guiana, a SPM (Secretaria de Política para as Mulheres), do MTPS (Ministério do Trabalho e Previdência Social) e da Defensoria Pública do Estado.

“A nossa intenção é abranger todas as questões de risco aqui na região, como o tráfico de mulheres entre os países, legalidade, trabalho escravo e exploração sexual. Sabemos que existem áreas de garimpo, que infelizmente têm uma tendência maior a apresentar estas problemáticas”, disse. Eva ressaltou que as ações entram em acordo com a determinação de políticas fomentadas pela governadora Suely Campos, que decretou a criação da Coordenadoria Estadual em março de 2015, no início da atual gestão.

SANIDADE VEGETAL – Sobre os problemas fitossanitários enfrentados pela Guiana, o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Aderr (Agência de Defesa Agropecuária), Luiz Cláudio Estrela, viu as discussões como importantes e registrou a boa receptividade do Ministério da Agricultura da Guiana e os técnicos das regiões fronteiriças no assunto.

Mencionou ainda a urgência em controlar e erradicar a praga da mosca da carambola, que ataca várias espécies frutíferas e pode prejudicar a economia do setor primário de Roraima. O resultado do encontro foi o registro e o acerto de um trabalho em conjunto com os ministérios dos dois países para implementar um programa regional.

“Eles ainda não fazem o monitoramento da praga na Guiana, mas estes são os passos iniciais para termos uma garantia de que a mosca não ocorra no Estado. Conseguimos eliminá-la em Roraima, mas existem algumas localidades das Guianas onde ainda há casos. Por isso a preocupação com a reintrodução. Com o acordo, estamos mais seguros de que o país irá cooperar nesta ação e permitir que a produção de frutas de Roraima volte a ter um caminho normal e possamos comercializar nossos produtos”, disse.

Acesse no site de origem: Reunião binacional define políticas públicas entre Roraima e Guiana (Boa Vista – 26/02/2016)