Ronda Maria da Penha de Salvador atende 112 vítimas de violência (A Tarde – 08/05/2015)

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Desde a criação da Ronda Maria da Penha, 112 mulheres já foram atendidas e cinco agressores presos. Este é o balanço do serviço da Polícia Militar que nesta sexta-feira, 8, completa dois meses de atuação no subúrbio. No entanto, a iniciativa, que acompanha vítimas de violência que estão sob medida protetiva, enfrenta o desafio de expandir a ação a outros bairros e ao interior do estado.

Uma medida protetiva, dentre outros procedimentos, determina o afastamento do agressor, como forma de prevenir novos conflitos. Segundo o superintendente de prevenção à violência da Secretaria da Segurança Pública, coronel Admar Fontes, em até 15 dias será finalizada a criação de um comitê de governança específico para tratar a violência contra a mulher. Um dos focos será a expansão da Ronda Maria da Penha.

Grupo deve passar por treinamento para entender melhor a violência doméstica - Foto: Marco Aurélio Martins | Ag. A TARDE

Grupo deve passar por treinamento para entender melhor a violência doméstica (Foto: Foto: Marco Aurélio Martins/Ag. A TARDE)

 

“Já solicitamos a indicação de dois membros a cada uma das instituições participantes, como a Secretaria de Políticas para as Mulheres, Ministério Público e Tribunal de Justiça. Se não der para expandir o serviço por conta do efetivo, podemos começar com a filosofia de proteção à mulher nas bases comunitárias”, diz Fontes.

Coordenadora do Grupo de Defesa da Mulher (Gedem) do Ministério Público da Bahia, a promotora Márcia Teixeira conta que, apesar de ainda não ter sido publicado, o comitê já se reuniu. “O desafio é ampliar para outros bairros. Isso está sendo estudado e em cidades como Feira de Santana, Porto Seguro e Simões Filho também”, adianta.

Como funciona

A ronda tem 23 policiais militares. Após a identificação de nomes, em órgãos como a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), os PM visitam vítimas de violência  que estão sob medidas protetivas.  No local, eles obtêm  informações e fornecem um número de telefone específico para situações de  perigo. Após o contato, são feitas rondas nos locais apontados pela vítima onde há riscos.

A capitã Ana Paula Queiroz, que coordena a ronda, explica que o projeto é voltado exclusivamente para as mulheres identificadas como aquelas que correm maior risco, e não para atender a qualquer situação de violência contra a mulher.

“A essência da ronda é fazer a prevenção e inibir a ação do agressor. Claro que se a gente presenciar alguma situação, vamos agir,  porque somos PMs, mas as emergências são atendidas pelo 190”, explica.

A delegada titular da Deam em Periperi, Vânia Nunes, considera a iniciativa importante por ter ajudado a inibir agressores e criado confiança nas mulheres. Somente este ano naquela Deam,  33 mulheres tiveram medidas protetivas   concedidas pela Justiça.

Preparo

Para a delegada, tem que haver expansão, mas dentro dos moldes em que foi criada. “Tem que ser com equipes preparadas, que tomem curso e entendam a dimensão do problema. O agressor tem vínculo com a vítima. Não é um bandido, que te assalta. Existem filhos, amor. Às vezes, ela titubeia. Por isso, a equipe tem que entender esse contexto”.

Anderson Sotero

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