Santa Cruz teve 40 casos de estupro em 2015, diz delegada (Gaz/RS – 01/06/2016)

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Números são das delegacias da Mulher (Deam) e de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA); em 2016, 16 abusos já foram relatados

Eles parecem história de filme mas, infelizmente, acontecem mais perto do que imaginamos. Os casos de estupro, sejam eles praticados contra menores de idade ou adultos, ocorrem numa frequência preocupante na região do Vale do Rio Pardo. Segundo a titular das delegacias da Mulher (Deam) e da Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegada Lisandra de Castro de Carvalho, o número de ocorrências relacionadas ao abuso sexual parece ter aumentado no município nos últimos anos. “Percebo um aumento dos casos. Não sei se podemos atribuir isso ao aumento real da prática, do abuso em si, ou da maior procura das vítimas pela delegacia”, afirmou, em entrevista à Rádio Gazeta na manhã desta quarta-feira, 1º.

Já em 2016, a delegada detalhou que, até agora, cinco casos foram registrados na Delegacia da Mulher e outros 11 foram investigados pela DPCA. O que mais a preocupa, porém, não é a quantidade, mas sim a crueldade aplicada nos crimes de abuso sexual. “A gravidade dos casos tem nos chocado muito, especialmente com vítimas na tenra idade, como bebês ou crianças que não conseguem se comunicar totalmente”, acrescentou Lisandra. Nestes casos, o trabalho da polícia torna-se um pouco mais delicado, conforme a delegada. A abordagem às vítimas passa pelo chamado depoimento especial, no qual elas podem contar sobre o ocorrido de uma maneira mais tranquila e acolhedora, uma vez que um psicólogo acompanha a oitiva. “Essa assistência psicológica acontece, também, para as vítimas de estupro adultas, como nos casos registrados pela Deam”, reforçou a delegada.

Gravidade

O caso recente registrado no Rio de Janeiro, no qual uma adolescente de 16 anos teria sido estuprada por mais de 30 homens, chocou o País diante da brutalidade do ocorrido. De acordo com a delegada Lisandra, casos cruéis, geralmente ligados a menores, também são registrados em Santa Cruz. Os mais recorrentes são os que envolvem familiares das vítimas. “Na última semana, concluímos um caso no qual a avó de uma menina de 5 anos permitia que a neta fosse abusada por um rapaz, com quem ela mantinha um relacionamento amoroso, em troca de alimentos e até valores em dinheiro”, detalhou. A mulher foi indiciada pela omissão diante de um estupro de vulnerável, crime caracterizado pela prática de atos libidinosos em menores de 14 anos – ato descrito pelo artigo 217A do Código Penal Brasileiro. “Muitas vezes há essa omissão praticada por quem deveria proteger as vítimas mas acabam concordando com a prática abusiva para ter vantagens”, disse.

Para a delegada Lisandra, não há uma explicação plausível para que o estupro seja consumado. Durante os mais de dez anos à frente das delegacias em Santa Cruz, ela procurou estudar e aprofundar conhecimentos para tentar entender o que leva alguém a cometer o abuso sexual. “Em alguns casos, os estupradores foram abusados quando crianças e reproduzem a violência que viveram quando pequenos porque não conseguem superar. Outros praticam por perversão”, opinou.

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