São Raimundo Nonato recebe capacitação do Programa Salve Maria

Nesta segunda (16), a Delegacia Itinerante de Gênero fará atendimento na cidade.

Policiais civis e militares, advogados e comunidade do município de São Raimundo Nonato recebem capacitação na metodologia investigatória na perspectiva de gênero com foco no feminicídio por meio do Programa Salve Maria. O curso foi realizado no auditório da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), na tarde desse domingo (15). Nesta segunda-feira (16), a Delegacia Itinerante de Gênero fará atendimento na cidade.O evento contou com a presença da governadora em exercício Margarete Coelho; delegada Eugênia Villa, diretora de Gestão Interna da Secretaria de Estado da Segurança; secretário de Estado da Cultura, Fábio Novo; prefeita de São Raimundo Nonato, Carmelita Castro; prefeita de Dom Inocêncio, Maria das Virgens, entre outras autoridades e a comunidade.

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Para Margarete Coelho, a capacitação é esclarecedora, pois permite que toda a sociedade entenda mais sobre violência de gênero. “Nós estamos aqui hoje com o Plantão de Gênero, com a Delegacia de Feminicídio, trazendo um treinamento para todos os profissionais da segurança pública, sejam da polícia civil ou militar, e outros atores da sociedade como advogados, assistentes sociais, promotores e pessoas da sociedade civil organizada, no sentido de entender sobre a violência contra a mulher, quais as modalidades de violência e o ‘como fazer’. Ou seja, os protocolos para apurar, julgar e condenar esses casos, notadamente as questões de estupro, feminicídio e da violência doméstica”, explica a governadora em exercício.

Capacitação de Policiais Civis e Militares com foco no Feminicídio na cidade de São Raimundo Nonato( Foto: Benonias Cardoso)

A delegada Eugênia Villa ressalta a importância do Programa Salve Maria para o combate à violência contra a mulher. “Essa é mais uma política da Secretaria da Segurança. O Programa Salve Maria consiste na capacitação e treinamento, campanhas preventivas e no diálogo com as mulheres. Nós estamos aqui em São Raimundo Nonato, território da Serra da Capivara, capacitando policiais civis e militares no atendimento às mulheres para que eles possam compreender a profundidade que é e que vai exigir da gente no nosso trabalho como policial”, disse Villa.
 
Ainda segundo a delegada, é necessário compreender como é que um homem mata uma mulher sendo esposa, namorada ou filha dele. “É diferente de matar uma para assaltar. É totalmente diferente essa dinâmica. Então, é preciso inovar e capilarizar essa perspectiva de gênero da dominação do homem sobre a mulher no trabalho policial. É preciso enxergar essa violência com lentes de gênero essa violência contra a mulher para que a gente possa dar um atendimento efetivo”, destaca a delegada, que também falou sobre a prevenção ao feminicídio.

Carmelita Castro, prefeita de São Raimundo Nonato, comenta que a capacitação envolve várias categorias policiais, profissionais da área de saúde e educação. “Esse treinamento é muito importante, pois São Raimundo é um município polo da região”, acrescenta a gestora.O capitão Ivanaldo Santos, subcomandante do batalhão de São Raimundo Nonato, afirmou que 90% das ocorrências aos finais de semana em São Raimundo Nonato são de violência doméstica. “Então esse curso é bastante esclarecedor, pois passamos a entender quando um delito pode ser enquadrado na Lei Maria da Penha e quando não pode, além de entender como devemos proceder. Aqui nós trouxemos os comandantes de GPMs de São Raimundo e região para que eles possam passar esse conhecimento aos que não puderam vir”, disse o militar.

Françoise Ribeiro, psicóloga de São Raimundo, fala sobre a importância de como atender a mulher depois que ela denuncia a violência na delegacia. “Nós e os assistentes sociais, como técnicos de referência, a nossa preocupação é com o depois, como atender essa mulher vítima de violência, por isso esse evento é tão importante pois aprendemos mais sobre como cuidar dessa mulher”, comenta a profissional.

“Eventos como esse são importantes para difundir que a mulher tem sim direitos assegurados por lei e muitas vezes elas não tem conhecimento por não terem acesso à legislação, além de informar como os profissionais devem atuar diante dessas situações”, finaliza Pedro Dias, conselheiro estadual jovem da OAB.

Por Camilla Melo

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