Sequestro de mulheres foi ‘covarde violência’, diz Direitos Humanos (G1 – 22/06/2015)

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Mulheres foram abordadas na Paraíba e violentadas em PE; uma morreu. Direitos Humanos diz que está à disposição das famílias das vítimas.

O Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba (CEDH) divulgou uma nota nesta segunda-feira (22) para manifestar indignação diante do caso das duas mulheres e de um bebê que foram sequestrados na noite do sábado (20) em João Pessoa. Uma das mulheres, de 42 anos, morreu e a outra, de 31 anos, ficou ferida após as duas serem estupradas, espancadas e atropeladas. O bebê foi abandonado na mata com fome e cheio de picadas de mosquitos.

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No documento, assinado pelo presidente da comissão, padre Bosco Nascimento, o crime é tratado como um “ato de feroz e covarde violência” praticado por “brutais criminosos”.

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“Independente da motivação do crime e de seus autores, trata-se de um gravíssimo atentado contra a vida, a dignidade e os direitos da pessoa, que se torna ainda mais repugnante quando atinge mulheres e crianças”, diz a nota.

As duas mulheres foram sequestradas no bairro de Jardim Cidade Universitária, por volta das 20h do sábado. Elas estavam em um carro com o filho de uma delas, de 9 meses. Segundo a polícia de Pernambuco, a vítima foi obrigada a dirigir pela BR-101 de João Pessoa até Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, onde entrou numa estrada de terra. Elas só foram encontradas na manhã do domingo.

O CEDH ainda expressou solidariedade aos familiares das vítimas e se colocou à disposição para intermediar apoio e encaminhamentos necessários junto ao Estado da Paraíba. A nota ainda solicita ao Governo da Paraíba um avanço na construção de uma política de segurança que previna “barbáries como essa” e garanta o direito de viver em paz a todo cidadão.

Por outro lado, o conselho parabeniza os órgãos de segurança pública em relação ao esforço de identificar e prender os responsáveis pelo crime. “Não pode haver pleno usufruto da cidadania se continuarmos reféns do medo, do temor, da ameaça de dano ou lesão à nossa individualidade ou à incolumidade de nossa família”, diz o padre Bosco no documento.

Investigação
A polícia da Paraíba considera mínima a hipótese de que as mulheres tenham sido alvo de vingança. A afirmação foi feita pelo Superintendente da Polícia Civil da região metropolitana de João Pessoa, Marcos Paulo Vilela, na manhã desta segunda-feira (22).

Ele explicou que conversou com os maridos das duas mulheres vítimas do crime. “Eles disseram que a convivência em ambas as famílias era tranquila, que eles não tinham nenhum problema profissional, nem as vítimas nem os maridos. Por isso essa situação de vingança, que não está descartada, estaria com probabilidade mínima de ter sido a causa desses crimes bárbaros”, disse.

Marcos Paulo também destacou que alguns detalhes estão sendo resguardadas para não atrapalhar a investigação, já que se trata de crime sexual.

De acordo com o cabo Edson dos Santos, da Polícia Militar de Pernambuco, uma das vítimas – a mulher que ficou ferida e que também é mãe do bebê – estava indo levar a amiga em casa. As duas moravam no mesmo bairro, onde aconteceu o sequestro. “Ela explicou que quando chegou na casa da amiga, foi abordada por um carro e uma moto e um dos homens entrou no carro dela”, disse o policial. Ainda segundo ele, a vítima não tem certeza de quantos suspeitos estavam envolvidos no crime.

Conforme Marcos Vilela, o caso está sendo investigado como latrocínio, que é roubo seguido de morte. “O que é importante é que nós cheguemos aos autores do crime para a partir daí chegarmos aos motivos do crime”, destaca. Ele informou que os delegados Roberta Neiva e Walter Brandão foram oficialmente designados para acompanharem o caso.

O superintendente também informou que o veículo em que as mulheres estavam ainda não tinha sido localizado até as 11h30 desta segunda-feira, assim como nenhum suspeito tinha sido preso.

Entenda o caso
Segundo a polícia de Pernambuco, a vítima foi obrigada a dirigir pela BR-101 de João Pessoa até Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, onde entrou numa estrada de terra conhecida como Estrada do Aterro Sanitário, na Mata da Usina Santa Tereza. “Depois de entrar na estrada, a cerca de 200 metros da BR, os homens tiraram as roupas delas, espancaram e estupraram”, afirmou o cabo Edson dos Santos. Os suspeitos tentaram ainda estrangular as mulheres utilizando tecidos, mas não conseguiram. Em seguida, atropelaram as duas com o carro da vítima, fugindo na sequência. Uma das mulheres não resistiu aos ferimentos. Os criminosos abandonaram o bebê na mata.

Por volta das 11h30 do domingo, trabalhadores rurais e vigilantes da usina encontraram as vítimas e a criança no local do crime e acionaram a polícia. A mulher que sobreviveu foi levada para o Hospital Miguel Arraes, em Paulista, no Grande Recife. Ela sofreu politraumatismo e passa por uma série de exames durante esta tarde. A criança foi encaminhada para o Hospital Belarmino Correia, em Goiana. De acordo com a unidade, o bebê chegou com muita fome, picadas de insetos, mas sem ferimentos graves. Ele já recebeu alta.

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