SPM e Ministério das Relações Exteriores estabelecem parceria para atendimento as brasileiras imigrantes (SPM – 13/04/2017)

A Secretária Especial de Políticas para as Mulheres (SPM/MDH), Fátima Pelaes, esteve reunida nessa quarta-feira (12) com o Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, para discutir ações de atendimento as brasileiras imigrantes em situação de vulnerabilidade. Deverá ser assinado nos próximos dias um Termo de Cooperação Técnica entre os dois órgão para a criação do programa Espaço da Mulher Brasileira, um setor criado em consulados brasileiros escolhidos para implementação de ações de empoderamento, incentivo a autonomia econômica e enfrentamento a violência contra a mulher.

O projeto piloto, delineado em coordenação com a área consular do MRE, foi inaugurado na última sexta-feira, em Boston (EUA, região onde concentram-se mais de 300 mil brasileiros). Muitas brasileiras residentes na região sofrem com condições precárias de trabalho, violência de gênero e falta de informação.

Participaram da cerimônia de inauguração em Boston o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, a cônsul do Brasil em Boston, embaixadora Glivânia Oliveira, o secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho, Natalino Oldakoski e o diretor da prefeitura de Boston, o brasileiro Álvaro Lima.

“Após análise do assunto em coordenação com a área consular do MRE, escolhemos Boston para sediar o projeto piloto, pelo número grande de mulheres que aqui vivem. São mulheres, que em grande parte, vem para a região em busca de melhoria das condições de vida, mas que aqui encontram muitas dificuldades. Violência doméstica, sexual, condições precárias de trabalho e dificuldade de assumir empregos de maior qualificação e remuneração”, explicou a secretaria Fátima Pelaes.

O ministro Aloysio Nunes, concordou com a importância desse acolhimento direcionado às mulheres brasileiras imigrantes, garantindo-lhes o exercício de uma cidadania mais plena. Ele confirmou o interesse do Itamaraty nessa parceria.

O Espaço da Mulher Brasileira irá trabalhar em três frentes: o acesso à informação, a promoção da autonomia econômica por meio da educação continuada, qualificação profissional e empreendedorismo e, ainda, ações para o enfrentamento à violência. O Ligue 180 que já atende brasileiras em 17 países, passa também, desde sexta-feira, a atender no estado de Massachusetts (EUA) .

Para acessar a central na região, basta ligar 1 800 745 55 21, discando-se a seguir o número 1 e informando-se à operadora o número 61-3799 – 0180.

A área consular do Ministério das Relações Exteriores, em parceria com a SPM, vem mapeando países onde as mulheres brasileiras estejam em situação de vulnerabilidade.

Em Boston

O consulado do Brasil em Boston desenvolve um trabalho de incentivo a organização social para melhoria de vida dos imigrantes brasileiros mediante ações como a realização de cursos de capacitação, a promoção do conhecimento e outras ações de empoderamento. Dentre os projetos já em curso, destaca-se parceria do consulado com o SEBRAE-MG, que resultou em pesquisa sobre o perfil das integrantes da Associação de Mulheres Empreendedoras brasileiras em Massachusetts.

“Esse estudo nos possibilitou conhecer um pouco mais a capacidade empreendedora da mulher brasileira. Comparada com a comunidade brasileira em geral, a população imigrante nos EUA e a população norte-americana, os níveis de educação e empreendedorismo e a experiência prévia com empreendedorismo no Brasil revela a capacidade que existe dentro da comunidade brasileira”, disse o diretor da prefeitura de Boston, Álvaro Lima.

Alfabetização e Qualificação Profissional

Uma das principais demandas da comunidade brasileira em Boston foi a disponibilização de cursos de alfabetização de adultos. Muitas mulheres vão trabalhar, principalmente em regiões rurais, em condições de analfabetismo funcional, sabendo apenas assinar o próprio nome. Essa condição torna precária as condições de vida dessas brasileiras.

A aposentada, Sandra Coelho, que vive há 37 anos em Boston, trabalha como voluntária em uma associação de brasileiros. Ela explicou que são frequentes os casos de violencia domestica na comunidade.

“As mulheres brasileiras sofrem muito com a violência doméstica, porque elas saem do Brasil muito dependentes dos homens da família. Muitas vezes, elas passam a ganhar mais que eles, aumentando ainda mais os conflitos. Resistem muito em denunciar a violência, por temer a solidão, por necessitar de apoio para cuidar de filhos pequenos e por não saber a quem recorrer. Acredito ser muito positivo esse novo espaço de acolhimento”, disse.

Para a brasileira Lidiane Costa, o EmuB irá proporcionar mudança de vida para brasileiras que moram há anos no país, mas que ainda trabalham em subempregos, com cargas pesadas de trabalho.

“A maioria das brasileira que aqui vivem estão subempregadas. Se elas recebem formação, podem ter uma opção de fazer outras coisas, de terem uma vida mais tranquila”.

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