Tocantins registra 10 assassinatos de mulheres e mais de 140 estupros em três meses (G1 – 11/08/2018)

Dados são da Secretaria de Segurança Pública. Especialistas afirmam que realidade pode ser ainda pior, já que muitos casos não chegam a ser registrados.

A Secretaria de Segurança Pública do Tocantins registrou 10 assassinatos de mulheres e mais de 140 estupros nos três primeiros meses de 2018. Pelo menos cinco das mortes são consideradas feminicídios, quando o crime é motivado pelo ódio contra a mulher.

O promotor Rogério Mota explica a diferença entre um feminicídio e um assassinato comum. “Em 2015 nós tivemos uma alteração legislativa para fazer com que o crime cometido contra a mulher, por razões de sexo feminino, ou seja, em contexto de violência doméstica ou por discriminação ou menosprezo ao gênero feminino, fosse um homicídio qualificado. Que conta com uma pena maior, de 12 a 30 anos”, diz ele.

Para Karol Chaves, que é a advogada da Comissão da Mulher da OAB, os dados podem não refletir a realidade. “A gente tem uma falha de dados, porque ainda não foi implantado o sistema nacional de políticas para as mulheres. Então a gente tem aí uma falha de dados, não só na segurança pública, mas também em outras instituições, como Defensoria e Ministério Público”, explica.

Em vários casos as vítimas tinham sofrido violência antes de serem mortas. Alguns casos do tipo ganharam grande repercussão.

“A maioria dos casos nos quais as mulheres são vítimas, a violência acontece nos finais de semana. Então a mulher só procura a delegacia na segunda-feira, porque durante o final de semana a delegacia especializada está fechada”, diz a advogada. O alerta do delegado é para que a denúncia seja feita assim que houver a primeira agressão.

A SSP não informou se há alguma previsão para o funcionamento da delegacia da mulher nos fins de semana.

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