Tráfico de pessoas ainda é grande em GO (O Hoje – 13/04/2015)

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Pesquisa da UFG aponta que Anápolis tem o maior número de casos de mulheres levadas para exploração sexual

Goiás está entre os estados brasileiros com o maior número de vítimas de tráfico de pessoas. É o que revela uma pesquisa feita Universidade Federal de Goiás (UFG), que apontou os locais no Estado de maior incidência do crime.

A coordenadora do estudo e professora da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da UFG, Telma Ferreira do Nascimento Durães, explica que a investigação foi feita nas cidades de Anápolis e Goiânia, em Goiás, e Madri (Espanha) e Lisboa (Portugal).

“Nosso objetivo foi o de estudar o tráfico internacional de mulheres para exploração sexual no exterior”. Ela afirma que Anápolis se tornou a cidade com maior incidência de vítimas desse crime. Também como meta, o estudo visa o desenvolvimento de ações voltadas à identificação, prevenção, proteção e atendimento às vítimas.

Telma Durães, que é doutora em sociologia, explica que existem obstáculos para separar o que é o tráfico de pessoas para exploração sexual e o que é o contrabando de pessoas. “O primeiro envolve a contínua exploração da vítima após ela chegar ao destino e, o segundo, termina com a chegada da pessoa ao local onde deseja se fixar”.

Ela cita ainda que existe uma diferença entre prostituição e o tráfico de mulheres para fins de exploração sexual. Nem toda mulher que está se prostituindo na Espanha ou Portugal, é traficada. “Algumas vão por conta própria e trabalham assim, enquanto outras vão a ‘convite’ e atuam em situações que atrapalham a própria sobrevivência”.

A professora explica que outra divisão conceitual dificulta a criação de ações de prevenção. “O Brasil é signatário do Protocolo de Palermo desde 2004, que é adotado pelos movimentos sociais que combatem o tráfico. Porém, o sistema de segurança brasileiro adota o Código Penal”. Segundo Telma Durães, essa distinção acaba interferindo no trabalho de combate a esse tipo de crime.

Vítimas

A pesquisa aponta ainda que devido à falta de alternativas de trabalho, mulheres, homens, crianças, adolescentes e travestis que vivem em situação de pobreza são mais vulneráveis. “Eles são levados a utilizarem o corpo como sustento porque não tem instrução suficiente, são jovens e, muitas vezes, fazem parte de famílias numerosas”.

No entanto, conforme a professora, muitas mulheres jovens e adultas se prostituem em busca de melhores condições de vida. “Elas vão para outros países, conscientes do que estão fazendo”.

Pesquisa

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), a pesquisa Tráfico Internacional de Mulheres: Goiás – pensando a prevenção, envolveu alunos de pós-graduação, graduação e professores. Além disso, houve também a participação de instituições como Ministério da Justiça (MJ), Ministério Público Federal (MPF), Secretaria de Estado de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (Semira) e organizações não governamentais locais e internacionais.

De acordo com um levantamento do Escritório da Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (ONODC), o tráfico humano atinge cerca 2,4 milhões de pessoas no mundo. O relatório aponta que esse mercado ilegal lucra mais de US$ 32 milhões por ano e que 80% das pessoas são exploradas como escravas sexuais.

Prevenção e abrigamento

A superintendente executiva da mulher e igualdade racial da Secretaria Cidadã, Glaucia Teodoro, afirma que as principais políticas relacionadas ao tráfico de pessoas são de prevenção e abrigamento das vítimas.

“A de prevenção é feita por meio de campanhas e seminários, pois o crime é disseminado boca a boca. Em regra, existem aliciadores que vão atrás de mulheres e outras pessoas para esse fim”. Ela revela que o órgão já realizou 11 seminários em cidades pólo de regiões do interior de Goiás. “O objetivo foi o de mostrar aos profissionais de segurança, saúde e à sociedade como funciona esse tráfico”.

Glaucia explica que estão sendo realizadas campanhas nas rodovias, junto aos caminhoneiros e também com travestis de Goiânia para alertar para esse problema. “Além disso, estamos articulando com ONGs e governos de outros países para impedir que pessoas migrem com a finalidade de exploração sexual”.

Entenda

Protocolo de Palermo

Estabelece diretrizes para classificar e combater a exploração humana de forma geral e pelo qual, foram estabelecidos diversos acordos de cooperação com Organização dos Estados Americanos e com o Mercosul, além de acordos
bilaterais com diversos países.

Cynthia Costa

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