Tráfico de pessoas faz mais de 160 vítimas em dois anos no Paraná (Folha Web – 25/07/2015)

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Dados se referem a pessoas aliciadas no Paraná e podem ser maiores porque são subnofiticados, segundo a Seju

Pelo menos 161 indivíduos foram aliciados pelo tráfico internacional de pessoas no Paraná entre janeiro de 2013 e dezembro de 2014, conforme a Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju). Entre os casos relatados estão exploração sexual de mulheres, adoção ilegal de crianças e adolescentes, exploração sexual com cárcere privado e trabalho em condição análoga ao de escravo. De acordo com a coordenadora do Núcleo Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP), Sílvia Cristina Xavier, contudo, as estatísticas são insuficientes para dimensionar o tamanho do problema.

“São muitas as pessoas que silenciam, por medo de exposição e vergonha. Às vezes, no meio do caminho, elas desistem (de denunciar); em outras, quando conseguimos recuperá-las, acabam voltando para a mesma atividade, porque o estado de vulnerabilidade é tão grande que preferem não enfrentar a realidade”, afirmou. Criado há dois anos, por meio de um convênio da Seju com o governo federal, o NETP atua na prevenção, na repressão e no atendimento às vítimas. A coordenadora lembrou que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), esse crime, em suas diferentes vertentes, movimenta 32 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 107 bilhões) por ano.

Das 17 ocorrências atendidas pelo núcleo, sete se deram em 2013, quando foram identificadas 22 vítimas, e dez no ano passado, correspondentes a 139. Apenas no primeiro semestre de 2015, o órgão recebeu 12 denúncias, que ainda estão sendo apuradas. “Uma pessoa esteve conosco e outra, que temos certeza de que foi traficada, não acreditou”, contou. A mulher teria recebido uma proposta para trabalhar em um café na Europa, com salário fixo de R$ 7 mil mensais. “Mas ela sumiu e, desde então, não temos mais notícias”, contou Sílvia Xavier.

CAMPANHA

Com o objetivo de alertar e sensibilizar a sociedade, a Assembleia Geral da ONU instituiu 30 de julho como Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. No Brasil, a “Campanha Coração Azul” começa na segunda-feira e se estende até 31 de julho. As ações em âmbito nacional são coordenadas pelo Ministério da Justiça, enquanto no Paraná ficarão a cargo do NETP. O símbolo e a cor, que devem ser reproduzidos na iluminação de prédios públicos, são uma referência à tristeza e à invisibilidade de quem sofre com o tráfico humano.

O lançamento regional ocorre amanhã, às 17 horas, em uma missa na Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões, em Curitiba. Nos dias seguintes, haverá blitze educativas em terminais de ônibus, na rodoferroviária da capital e no Aeroporto Afonso Pena. “Muitos familiares pensam que a pessoa procurou a situação e que não foi realmente vítima. Por isso a importância de conscientizar. Sonhe, viaje e faça planos, mas saiba para onde você vai, com quem e de que forma”, alertou a coordenadora do NETP. Denúncias podem ser feitas por meio do Disque 100, de Direitos Humanos, e do Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulhes

Mariana Franco Ramos

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