Três casos de violência contra mulher registrados por dia em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina (OCP Online – 13/04/2016)

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Jaraguá do Sul contabilizou cerca de 280 denúncias apenas nos três primeiros meses do ano, segundo a Delegacia da Mulher

Jaraguá do Sul registrou cerca de 280 denúncias de violência contra a mulher no primeiro semestre deste ano, o que corresponde a uma média de três casos por dia no município. Deste total, o maior número de denúncias é contra crimes de ameaça, com 168 boletins de ocorrência registrados. Na sequência vem os casos de injúria no ambiente doméstico, com 29 registros, seguido pelos crimes de lesão corporal dentro do ambiente familiar, com 37.

No total, a Delegacia da Criança, Adolescente, Mulher e Idoso registrou 410 boletins de ocorrência no primeiro trimestre deste ano. De acordo com a delegada responsável, Milena de Fátima Rosa, cerca de 80% do total de casos registrados no local são de violência contra a mulher, sendo que a grande maioria deles acontece dentro do âmago doméstico e familiar e nas relações íntimas de afeto.

“Os números não alteram muito de ano para ano, mas aos poucos vemos mais casos surgindo porque leis como Maria da Penha dão mais segurança para denunciar”, explica Milena, referindo-se a lei 11340/06, que aumentou o rigor das punições sobre crimes domésticos e que em 2016 completa dez anos. Apesar disso, o medo de retaliação e o receio de deixar o relacionamento ainda são fatores que influenciam as mulheres a não denunciarem, destaca a delegada.

É o caso de uma jaraguaense de 49 anos que, durante 16 anos, viveu com um companheiro violento. Ele a agredia verbalmente e fisicamente. “Ele bebia, não me deixava trabalhar, sempre dizia que eu estava o traindo, que era inferior. Fiz vários boletins de ocorrência, mas eu sempre acreditava que ele ia mudar”, relata, emocionada. Por medo de fazer os filhos sofrerem, ela aguentou a violência sozinha. A coragem para mudar surgiu quando ela viu que tinha o apoio de amigos, familiares e dos próprios filhos. “Comecei a trabalhar, percebi que se tinha mãos e pernas poderia me virar. Não podemos ter vergonha de pedir ajuda e correr atrás”, ressalta.

Em outros casos, a violência não está dentro, mas perto de casa, nas ruas. Em fevereiro deste ano, uma jaraguaense transsexual de 29 anos foi vítima de uma tentativa de estupro no bairro Vila Lalau, onde mora desde criança. Era por volta de 11h e ela estava voltando para a casa da padaria quando foi abordada por um sujeito em um veículo. “O homem queria que eu tocasse nele, começou a me puxar. Eu me esquivei e saí correndo. Ele me perseguiu até perto da minha casa. Fiquei com medo de ser atropelada”, relembra ela.

Naquele mesmo dia, ela buscou o apoio da União Brasileira de Mulheres (UBM) de Jaraguá do Sul, onde recebeu auxílio para efetuar o boletim de ocorrência. “Os policiais nos mandaram fazer online, não quiseram ouvir a história. Duas horas depois uma menina também sofreu uma tentativa de estupro atrás de uma revendedora de carro na Vila Baependi”, lamenta. “Eu não tenho ninguém para me ajudar, e buscar a ajuda da UBM foi ótimo. Elas acolhem e ajudam mulheres que têm vergonha de denunciar, ainda mais em uma cidade onde todo mundo se conhece. Elas oferecem apoio”, comenta ela.

De acordo com a delegada Milena, o amparo psicossocial e jurídico são dois aspectos fundamentais na luta contra a violência, especialmente quando ela está dentro de casa. “Temos que dar suporte emocional para que elas sejam capazes de encerrar estes relacionamentos abusivos e capacitação profissional para que elas possam se sustentar”, defende. “Sabemos que, quanto mais a violência ocorre, mais os filhos tendem a repetir estes atos na vida adulta. É uma mudança de cultura e de comportamento, estes homens precisam entender que a mulher não é objeto e que elas conquistaram seus direitos. Essa mudança compete a toda a sociedade”, salienta a delegada.

No ano passado, a Delegacia da Criança, Adolescente, Mulher e Idoso registrou um total de 1.466 boletins de ocorrência, dos quais cerca de 80% (em torno de 1.100) relatavam atos de violência contra a mulher. O número é 5,3% maior do que o total de boletins registrado em 2014, quando foram feitas 1.392 denúncias.

Dois homicídios chocaram a região
Em março deste ano, dois crimes de feminicídio chocaram a região. O primeiro deles ocorreu no dia 13 de março, em Schroeder, quando a jovem Divana Peres, de 24 anos, foi estrangulada dentro de sua própria casa pelo ex-namorado, Dhyon Lenon Stavicki. O homem confessou o crime três dias depois e alegou ter segurado o pescoço da jovem para cessar uma briga, sem a intenção de matar. O caso está sendo investigado.

O segundo crime aconteceu em Corupá, no dia 28 de março. Lucinda Arnold Domingues, de 40 anos, foi encontrada morta em casa após ter sido atingida com pelo menos três facadas no abdômen. O crime foi cometido pelo ex-companheiro da vítima, José Juarez Domingues, de 45 anos, de quem estava separada há cerca de três meses.

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