Tribunal de Justiça julgou 14,3 mil casos de feminicídio no AM só neste ano

Dados são da juíza titular do 2º Juizado Maria da Penha, Luciana Nasser, que informou, ainda, que de janeiro a julho, o Amazonas já registrou 15 novos crimes de feminicídio.

No Amazonas, 15 feminicídios já foram registrados, de janeiro a julho deste ano, segundo a juíza titular do 2º Juizado Maria da Penha, Luciana Nasser. Neste mesmo período, 14.371 processos judiciais foram julgados nos três juizados especializados. Somente nessa última semana, em menos de 24 horas, dois casos de feminicídio foram registrados, nos quais os suspeitos dos crimes foram presos pela polícia. Além disso, na mesma semana, um empresário foi preso por agredir fisicamente a ex-companheira.

Os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), em 2018, foram registrados apenas três feminicídios. No período de janeiro a julho deste ano, a secretaria afirmou que houve apenas um caso de feminicídio. Em 2018, no mesmo período, a SSP-AM informou que apenas um feminicídio foi registrado.

Na noite do dia 20 deste mês, por volta das 22h, Maria de Lourdes Palheta, 41, foi morta com oito facadas, em um motel, na Rua Lobo D’Almada, Centro da cidade. O suspeito do crime é seu ex-companheiro, o ex-presidiário Carlos Maki Mota do Nascimento, 27, preso na última quarta-feira (21). Em depoimento, ele relatou à polícia que teria cometido por ciúmes, quando descobriu que a mulher tinha outro companheiro.

Por motivos de ciúmes e por não aceitar o término do relacionamento, Douglas Ricardo Silva Costa, 25, matou a pauladas a ex-companheira dele, Aline Teixeira Machado, 26, no dia 20 de agosto, por volta das 5h20, na Travessa Ayrton Senna, localizada bairro Cidade Nova, na zona norte da cidade. Na tarde do mesmo dia, o suspeito se entregou à polícia.

Um empresário, de 42 anos, foi preso, no dia 20 deste mês, em mandado de prisão preventiva por violência doméstica, cometido contra a ex-companheira dele, uma mulher de 41 anos. De acordo com a Polícia Civil (PC), o infrator e a vítima se relacionaram durante sete anos, mas não estão mais juntos. No dia 6 de agosto deste ano, o homem ameaçou a ex-companheira, na vidraçaria onde eles trabalhavam. Na ocasião, imagens foram capturadas pelas câmeras de segurança da empresa.

A delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), Débora Mafra, afirmou que, geralmente, as vítimas de feminicídio são aquelas que nunca denunciaram, além daquelas que, mesmo quando denunciam, acabam voltando com seus companheiros e deixando de lado o inquérito.

“Nós temos que orientar mais as nossas vítimas a não retornar com o companheiro, não acreditar que vai haver uma mudança, pois ela não existe. Após o rompimento da barreira chamada ‘respeito’, é muito difícil existir um novo contato, uma nova vida, uma nova família. O que a vítima tem que fazer é denunciar e ir em frente até o final. Não acreditar em momento algum que ele vai mudar”, disse.

Por Stephane Simões

Acesse no site de origem: Tribunal de Justiça julgou 14,3 mil casos de feminicídio no AM só neste ano (D24am, 25/08/ 2019)