UFG: 40 casos de assédio (O Popular – 16/06/2016)

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Instituição de ensino confirma que há processos administrativos instaurados para investigar os casos registrados por meio da ouvidoria ou de forma direta pelos alunos

A denúncia de violência contra mulher na Universidade Federal de Goiás (UFG) serviu como estopim para estudantes reclamarem ontem de assédios moral e sexual envolvendo professores, no Campus Samambaia, na Região Norte de Goiânia. O gabinete da reitoria da instituição de ensino confirma que há mais de 40 processos administrativos instaurados para investigar os casos registrados por meio da ouvidoria ou de forma direta. Eles correspondem a cerca de 40% dos 110 processos administrativos em andamento na UFG.

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As estudantes denunciaram que a violência também ocorre dentro da sala de aula, durante a manifestação que cobrou ações da reitoria para solucionar o histórico de insegurança na universidade. A indignação aumentou após uma jovem, supostamente violentada, ter siso deixada no estacionamento próximo à Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), na noite de terça-feira.

Ao apontar a omissão da administração da UFG diante dos problemas, as alunas exigiram respostas imediatas com a punição dos culpados. “Somos assediadas o tempo todo dentro desta universidade, dentro da sala de aula, por professores que não nos respeitam”, gritou uma das estudantes, diante do vice-reitor da instituição, Manoel Rodrigues Chaves. Ele representou o reitor Orlando Afonso Valle do Amaral, que, segundo a assessoria de imprensa, estava em reunião em Brasília.

O número de casos divulgados oficialmente é apenas uma estimativa, já que, conforme conta uma estudante do curso de História, nem todas as vítimas têm coragem de denunciar. “Muitas também veem como perda de tempo, porque não existem respostas. A gente sabe de professores que têm várias denúncias e nada foi feito ainda”, reclamou ela.

Coordenador do Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência (Necrivi) da UFG, o sociólogo Djaci David de Oliveira diz que a universidade “precisa produzir respostas mais rápidas.” “Há um passivo de problemas que não foram resolvidos, como o de infraestrutura, que envolve a segurança, e de solução de conflitos, como os assédios”, afirma o pesquisador.

A professora Marcela Amaral, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade (Ser-Tão) da UFG, entende que os assédios refletem um comportamento que está além da instituição de ensino. “A universidade não é uma ilha isolada do mundo. Ela se constrói sobre um paradigma masculino e machista”, observa ela.

O vice-reitor diz que os casos de assédio provocam preocupação. “A gente percebeu uma violência subjetiva. Essa nos preocupa sobremaneira. É a do assédio e da discriminação, que está em sala de aula e no bojo acadêmico. Ela não aparece objetivamente”, acentua, acrescentando que os alunos precisam fazer denúncias.

Cleomar Almeida

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