Um ano após tentativa de estupro na USP, aluna relata novas ameaças (G1 – 29/10/2015)

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Em 2014, ela sofreu ataque que não foi investigado por falta de suspeito. Neste mês, jovem teve e-mail invadido e recebeu duas ameaças.

Uma estudante de geografia da Universidade de São Paulo (USP) que sofreu uma tentativa de estupro em 2014 voltou a receber ameaças dentro da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Em um relato publicado em seu perfil pessoal no Facebook, a jovem afirmou que, em meados deste mês, depois de um ano, recebeu novamente um bilhete anônimo deixado no seu carro e, uma semana depois, teve seu e-mail invadido por alguém que lhe enviou mensagens ameaçadoras.

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Procurada pelo G1, a USP afirmou que a Comissão de Direitos Humanos da instituição já está ciente do caso e convidou a estudante para uma reunião na próxima semana (veja abaixo a íntegra da nota). Segundo o grupo que auxilia a aluna, a reunião foi proposta por eles e aceita pela comissão.

Tentativa de estupro
Em agosto 2014, a jovem sofreu uma tentativa de estupro no estacionamento da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), depois de meses recebendo bilhetes anônimos deixados em sua mochila e no carro. Ela foi atacada por trás quando se aproximou do seu carro, e o agressor a imobilizou e a impediu de ver seu rosto.

Por falta de provas (as câmeras de segurança da USP estavam fora de funcionamento na época), a polícia não conseguiu identificar o suspeito e a Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária afirmou que não poderia ter uma ação mais concreta sem o nome do suspeito. A mesma resposta ela ouviu da FFLCH, que não abriu sindicância para apurar o assunto sem um nome de um suspeito.

A jovem, então, decidiu expor seu caso na internet, na tentativa de que ele se tornasse conhecido dos demais estudantes da faculdade. Ela também tomou outras precauções, como trancar as disciplinas que fazia à noite, para estar no campus da Cidade Universitária apenas durante o dia. Junto com outras estudantes, ela começou a organizar grupos de caronas para que as mulheres da universidade não precisem se deslocar sem companhia pelo campus. Segundo ela, após a publicização da história, as ameaças pararam.

Bilhete e e-mail invadido
Neste mês, porém, ela afirmou que começou a ser ameaçada novamente, por uma pessoa que diz não ser o agressor anterior. “No meio desse mês de outubro, saindo de uma aula, cheguei no meu carro e lá tinha um bilhete que dizia ‘enquanto você estiver aqui, estarei’. Fazia mais de um ano que eu não recebia nada, mas igual às anteriores a ameaça foi colocada no estacionamento da faculdade de História e Geografia da USP”, afirmou ela, pelo Facebook.

“Em seguida avisei as pessoas mais próximas, parei de circular sozinha dentro e fora da USP e tentei ficar o mais atenta possível a qualquer sinal estranho. Mas, antes que pudesse pensar ou fazer algo concreto, uma semana depois do bilhete, tive meu e-mail invadido e recebi um e-mail enviado pela minha própria conta. No texto a pessoa me ameaça, alega saber fatos sobre meu cotidiano, afirma não ser a mesma pessoa que me agrediu no ano passado e, principalmente, condena o meu envolvimento com mulheres que já sofreram agressões dentro da universidade e denunciaram as violências sofridas, sugerindo que eu deveria rever minhas amizades e o tempo que gasto ‘acobertando vagabundas’ e, nitidamente, buscando me intimidar ao falar ‘sei seu endereço, sei sua rotina'”, diz o relato.

A estudante afirmou que fez uma pesquisa entre os IPs usados para acessar sua conta de e-mail e descobriu que um acesso foi feito dentro da própria USP, no laboratório usado pelos alunos da geografia e no mesmo horário em que ela recebeu a mensagem ameaçadora.

“Ou seja, a pessoa invadiu minha conta e enviou o e-mail de dentro do ambiente acadêmico enquanto eu estava em aula, no mesmo lugar em que recebo os bilhetes e em que sofri a tentativa de estupro. Um novo B.O. foi realizado e uma investigação foi aberta, no entanto no último ano nada foi feito para garantir minha segurança ou das outras mulheres que frequentam o campus. Assim, mais uma vez um homem se sente à vontade nesse espaço para perseguir e ameaçar uma mulher”, afirmou ela, no post.

Segundo a jovem, que ainda espera que a USP tome medidas de segurança para ela e outras mulheres no campus, “a identidade do perseguidor está justamente no fato das ameaças acontecerem no ambiente universitário, através do uso da rede de informática da USP”.

Leia a íntegra da nota da USP:
“Em 2 de outubro do ano passado, quando a aluna repercutiu o caso nas redes sociais, a Superintendência de Segurança fez o seguinte esclarecimento: ‘Há duas semanas, a moça, o pai e o namorado foram recebidos e relataram o caso. Um assessor e alguns guardas universitários foram com ela até o estacionamento da FAU para levantar mais dados. Foram feitas cópias dos bilhetes e a moça ficou de enviar o boletim de ocorrência registrado. Depois disso, a Superintendência não foi mais procurada, mas está à disposição da aluna’. Por iniciativa da Comissão de Direitos Humanos da USP, que tomou conhecimento do assunto por outras vias (e não pela aluna), na próxima quarta-feira, dia 4, a aluna foi convidada a participar de uma reunião com representantes da Comissão, da Superintendência de Segurança e da Ouvidoria para avaliar que tipo de medidas podem ser tomadas no caso.”

Ana Carolina Moreno e Vivian Reis

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