USP adere à campanha “HeForShe” (Jornal do Campus – 02/07/2015)

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Entre as principais iniciativas listadas pela reitoria, está a criação do escritório USP Mulheres

No dia 18 de julho, a reitoria anunciou a participação da USP na campanha mundial “ElesPorElas” [HeForShe], desenvolvido pela UN Women, instituição das Nações Unidas dedicada a projetos na área de igualdade de gêneros e empoderamento das mulheres e que estabelece o programa “Impact 10x10x10”, que visa atingir 10 países, 10 empresas e 10 universidades, estando a USP entre elas, como única da América Latina.

USP Mulheres

Na USP, uma das principais iniciativas que integrará o projeto da ONU é a criação do Programa “USP Mulheres”, coordenado pela professora da Faculdade de Medicina (FM), Lilia Blima Schraiber. Algumas outras propostas elencadas pela reitoria incluem: a promoção do esporte como parte da vida universitária e como instrumento de promoção da igualdade; o diálogo com outras universidades da América Latina como a Universidade de Buenos Aires e a Universidade Autônoma do México, para realizar ações conjuntas contra a violência nos campus; e o fortalecimento dos grupos acadêmicos que estudam gênero, dando apoio e expandindo as ações de pesquisa sobre o tema.

(Infográfico: Marcelo Grava)

Segundo a USP, os compromissos do projeto incluem ainda uma campanha destinada aos alunos sobre a violência, para “capacitação” relacionada ao tema, pensando principalmente na recepção aos alunos no início do ano e a ação permanente contra a violência dentro da cidade universitária. No segundo semestre de 2016 as dez universidades vão se reunir para debater a erradicação da violência contra as mulheres nos campi, mas o caminho ainda é longo. “Ainda estamos montando o escritório do USP Mulheres, mas um de nossos objetivos é poder trabalhar melhor em conjunto com outros órgãos institucionais como a Ouvidoria e a Comissão de Direitos Humanos para podermos combater de forma mais eficiente os casos de machismo que ainda permeiam nosso dia a dia”, afirmou a professora Schraiber. Para ela, hoje um dos principais problemas não apenas da Universidade, mas do Brasil, é a falta de diálogo entre as políticas públicas. “Os governos pensam em políticas educacionais ou de saúde como se fossem áreas que não conversam. É tudo muito compactado e segmentado e ainda com o agravante de que muitas dessas políticas [públicas] são pensadas a curto prazo e grandes projetos são descontinuados com as trocas de governo”, disse.

O Projeto da ONU

Anunciada em 2014, o “HeForShe”, é uma campanha da ONU que pretende engajar meninos e homens na luta pela igualdade de direitos entre os gêneros e na luta contra a violência. Por isso mesmo, desde seu anúncio, vem causando polêmica entre os movimentos feministas no mundo inteiro que criticaram a abordagem da campanha em incentivar o protagonismo dos homens e não das mulheres na luta.

A intenção da professora Lilia com o escritório do USP Mulheres é o de empoderamento e de acolher a diversidade de opiniões, “gosto da ideia de poder trabalhar em rede, e é nessa linha o que quero propor para o USP Mulheres, ou seja, pensar soluções em conjunto, com o restante do corpo universitário e com o auxílio dos grupos estudantis. Quando há pontos de convergência, temos que estimular. Os pontos de convergência e cooperação devem ser compartilhados”, afirmou.

Por enquanto ainda não existe nada muito definido sobre como de fato irá funcionar o escritório, “ainda estamos no processo de encontrar os professores interessados em participar da iniciativa. Levará ainda algum tempo até começarmos a propor mudanças”, explicou a professora.

Isabelle Almeida

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