‘Vidas Contadas’: G1 mapeia 53 casos de feminicídio na região de Campinas desde 2015; veja raio-X (G1 – 27/05/2019)

Vítimas tinham entre 13 e 85 anos e maior número de ocorrências foi registrado em 2018, com 22 assassinatos. Levantamento mostra ainda registro de ocorrências em 16 dos 49 municípios da área de cobertura da EPTV.

Morta com 11 tiros pelo namorado em 10 de maio, Thaís Fernanda Ribeiro, de 21 anos, é a 53ª vítima de feminicídio nas regiões de Campinas (SP) e Piracicaba (SP) desde março de 2015, quando o Código Penal foi alterado, criando a tipificação para os casos em que mulheres são mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Dados obtidos pelo G1 via Lei de Acesso à Informação (LAI) e Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostram que a violência contra a mulher não tem horário, nem escolhe idade ou escolaridade.

O levantamento mostra que entre as 53 mortes estão mulheres de 13 a 85 anos. Dos 49 municípios mapeados, Campinas é onde se registra mais feminicídios, com 29 ocorrências. E o “raio-X” dessas vítimas é o ponto de partida da série “Vidas Contadas – Feminicídios”, que dá sequência ao projeto do G1 em parceria com a EPTV que já abordou e discutiu as mortes violentas ao longo de um ano em Campinas.

O feminicídio de Thaís Fernanda Ribeiro é o 8º registrado na área de cobertura da EPTV em 2019, em menos de cinco meses. O quarto na cidade de Campinas, município com o maior número de ocorrências: 29.

Na série histórica, o maior número de casos foi registrado em 2018, com 22 casos que já foram tipificados. Além de Campinas, há registro de feminicídios em outros 15 dos 49 municípios analisados:

  • Águas de Lindoia: 1
  • Americana: 2
  • Campinas: 29
  • Capivari: 1
  • Cordeirópolis: 1
  • Cosmópolis: 1
  • Engenheiro Coelho: 1
  • Hortolândia: 2
  • Indaiatuba: 3
  • Itapira: 3
  • Jaguariúna: 1
  • Mogi Mirim: 2
  • Paulínia: 1
  • Piracicaba: 2
  • Santa Bárbara d’Oeste: 2
  • Sumaré: 1

Faixa etária

A prova de que a violência contra a mulher não tem idade está no perfil das vítimas. A mais nova tinha 13 anos, e a mais velha, 85 anos. Do total de crimes, 35,8% ocorreram com mulheres entre 35 e 44 anos.

A mais jovem a integrar a estatística é a adolescente Milena Optimara Soares Cardenas, de 13 anos, morta com um tiro na coxa na noite do dia 4 de janeiro de 2019, no Jardim Flamboyant, em Campinas (SP).

A mais velha é Luzia Maia Ferreira, de 85 anos, uma das nove mulheres assassinadas em uma chacina durante o Réveillon de 2017, também em Campinas.

Estado civil e escolaridade

Dados dos boletins de ocorrência mostram que 33,9% das vítimas eram solteiras (18 das 53 vítimas). A relação ainda aponta sete mulheres casadas, cinco divorciadas, quatro em união estável, três conviventes, duas viúvas e duas separadas. Em 12 casos, a informação não estava disponível.

Sobre a escolaridade das vítimas, 13 mulheres vítimas de feminicídio tinham o 1º grau completo (24,5%), oito delas o 2º grau completo, e quatro o ensino superior completo.

Nos registros da SSP ainda aparece uma vítima que era analfabeta, quatro com o ensino fundamental incompleto e uma com superior incompleto. O dado não foi preenchido em 22 ocorrências.

Período do dia

De acordo com os registros na Polícia Civil, a maioria dos casos de feminicídio ocorreu na madrugada. Dos 53 casos considerados, 16 tinham no registro de ocorrência o período.

  • Manhã: 12
  • Tarde: 11
  • Noite: 14
  • Madrugada: 16

As vítimas

2015

  • Daniele Aparecida de Sá, 32 anos
  • Alexandra Alves da Silva Oliveira, 38 anos
  • Maria do Carmo Lopes, 74 anos

2016

  • Laís Santos de Souza, 29 anos
  • Maria de Lurdes Cain Signoretti, 76 anos
  • Maria Salete da Silva Goulart, 59 anos
  • Rosimeire Alves Matias, 33 anos
  • Priscila Cristina Pupo, 31 anos

2017

  • Abadia das Graças Ferreira, 56 anos
  • Antônia Dalva Ferreira de Freitas, 62 anos
  • Larissa Ferreira de Almeida, 24 anos
  • Liliane Ferreira Donato, 44 anos
  • Ana Luzia Ferreira, 52 anos
  • Carolina de Oliveira Batista, 26 anos
  • Alessandra Ferreira de Freitas, 40 anos
  • Isamara Filier, 41 anos
  • Luzia Maia Ferreira, 85 anos
  • Aline Bortolosso, 35 anos
  • Adriana Aparecida Bueno, 43 anos
  • Ana Cristina Gallo, 29 anos
  • Alexandra Aparecida Gallo, 35 anos
  • Solange Ricardo Tomaz Fray, 54 anos
  • Adriana Oliveira Silva, 40 anos

2018

  • Maria de Lourdes de Oliveira Araújo, 56 anos
  • Joana Pereira Chaves, 45 anos
  • Taiz de Sá da Paz, 24 anos
  • Maria Rosemi dos Santos, 42 anos
  • Sabrina do Amaral Vechi, 39 anos
  • Marly Ribeiro Gonçalves, 47 anos
  • Nilza Mamede Ribeiro, 50 anos
  • Daisy Aparecida Batista André, 21 anos
  • Jennifer dos Santos Leite, 30 anos
  • Géssica Monique de Oliveira, 25 anos
  • Maríllia Camargo de Carvalho, 25 anos
  • Mara Cristina da Silva, 51 anos
  • Vaneza Oliveira de Souza, 31 anos
  • Fernanda Martins da Costa Sá, 33 anos
  • Camila de Souza Santana, 24 anos
  • Érika Cristina Cardozo da Silva, 35 anos
  • Ana Regina Franco da Silva de Moraes, 38 anos
  • Kátia Keiko Picioli Ferreira, 40 anos
  • Larissa Carolina Bernardo, 22 anos
  • Antônia Maria dos Santos, 48 anos
  • Kelly Cristina Sepulveda Braz, 41 anos
  • Elida Paula da Silva de Oliveira, 40 anos

2019

Queli Aparecida de Siqueira Simon, 39 anos
Milena Optimara Soares Cardenas, 13 anos
Bruna Aparecida Rodrigues Pediano, 30 anos
Nice Romualdo Vieira, 53 anos
Fátima Aparecida Bertoline, 40 anos
Cláudia Lopes Aragão, 44 anos
Patrícia Gomes da Cruz, 37 anos
Fernanda Ribeiro, 21 anos

Vidas Contadas – Feminicídios

Nome da série de reportagens que abordou casos de mortes violentas em Campinas (SP) durante um ano, “Vidas Contadas” volta à cena a partir desta segunda-feira (27) para mostrar os casos de feminicídios e violência contra a mulher registrados nos 49 municípios da área de cobertura da EPTV Campinas.

Além do raio-X dessas mortes e perfil dessas vítimas, o projeto “Vidas Contadas – Feminicídios” apresentará nas próximas reportagens números da violência contra mulheres, o drama de quem sobreviveu e superou situações de risco extremo, o impacto dos crimes na vida dos órfãos do feminicídio e casos que ainda não foram tipificados.

Fernando Evans

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