Violência contra a mulher cresce mais de 35% em Jaraguá do Sul (Jornal de Santa Catarina – 15/04/2015)

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Diariamente, as mulheres são alvos de diversos tipos de violência, desde assédio verbal até a morte. Em Jaraguá do Sul, no primeiro trimestre deste ano, esse tipo de ocorrência aumentou 35,2% em relação ao mesmo período de 2014. Dados da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso de Jaraguá do Sul mostram, em primeiro lugar, a ameaça contra a mulher, seguido da agressão física e agressão verbal.

No ano passado, foram registrados 1.393 boletins de ocorrência. Nos primeiros três meses deste ano, as ocorrências já alcançaram 30% do total de 2014. A delegada Milena de Fátima Rosa acredita que esse número não corresponde necessariamente a um aumento da violência doméstica, mas pode significar que as pessoas aprenderam a denunciar.

– A delegacia foi inaugurada em setembro de 2010. Temos quase seis mil ocorrências registradas desde o início das atividades. A maioria, cerca de 90%, é de violência contra a mulher. Acredito que a delegacia está mostrando sua função e a importância de existir – enfatiza.

Milena destaca que a média de boletins registrados chega a oito por dia, sem falar das ocorrências encaminhadas nos finais de semana, quando a delegacia está fechada. Segundo a delegada, a atualização da Lei Maria da Penha tem ajudado, e o uso da medida protetiva vem aumentando. Com ela, é possível desarmar o agressor e obrigá-lo a se afastar da vítima. Caso ele descumpra, é decretada prisão preventiva.

– No ano passado, houve 155 medidas ao todo. Neste ano, já foram solicitadas 75.

Homens com envolvimento com drogas e álcool formam o perfil dos agressores. Milena destaca que em relacionamentos longos são predominantes os casos de violência física e, em relacionamentos curtos, a agressão começa com as ameaças verbais.

Meio de denunciar

Após quase quatros anos da instalação da delegacia em Jaraguá do Sul, nem todos os casos são descobertos por meio das denúncias. O Serviço de Proteção e Atendimento Especializado à Família e Indivíduos, desenvolvido pela Secretaria de Assistência Social, descobre diversas situações.

– A maioria dos casos que recebemos é de crianças que foram encaminhadas por meio do Conselho Tutelar. Como atendemos todos da família, acabamos descobrindo casos de violência contra a mulher – explica diretora da Secretaria, Maria Andréia Stanck.

Há oito equipes nos Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e O objetivo delas é fortalecer a família, segundo Maria. Ela relata que não podem fazer a denúncia pela mulher, mas podem incentivar e levantar a autoestima para que a mulher procure seus direitos.

Atualmente, 208 famílias estão frequentando os Creas jaraguaenses. Maria destaca que em grande parte se descobre a violência contra mulheres e crianças.

– Nas famílias com vulnerabilidade social, é mais fácil de denunciar pela proximidade das residências com os vizinhos. Mas violência ocorre em todas as classes sociais, sem distinção – explica.

Chayenne Cardoso

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