Violência contra a mulher em Santa Maria: em 7 meses, patrulha acompanha 225 casos (Gaúcha – 05/02/2016)

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20 medidas protetivas seguem ativas, o que significa que o agressor continua fazendo contato com a vítima

Desde o início da Patrulha Maria da Penha, em Santa Maria, em 30 de junho do ano passado, policiais militares acompanharam 225 medidas protetivas de violência contra a mulher no município. Os dados vão até 4 de fevereiro deste ano. Do total dos casos, 205 foram resolvidos, e outras 20 medidas seguem ativas, o que equivale a 8,8%.

Medidas protetivas são determinações da Justiça como, por exemplo, o afastamento do agressor do lar onde mora. Três policiais militares – duas mulheres e um homem – trabalham na patrulha, e fazem uma média de oito visitas por dia. Funciona da seguinte maneira: policiais, geralmente as mulheres, chegam à casa da vítima, aproximam-se da mulher e perguntam se o agressor está fazendo algum tipo de contato. Cada medida protetiva tem, no mínimo, três visitas à família, e a mais antiga tem o trabalho da BM desde julho de 2015.

“Na maioria das vezes em que a gente chega à casa, o problema não está resolvido. Ou a vítima sofreu ameaças por telefone, ou por terceiros que mandam recados. A mulher se sente fragilizada, envergonhada. A gente chega com uma conversa informal, pergunta como está a situação e tenta ser o mais delicada possível. Como a mulher se sente frágil, a gente tem que tentar uma aproximação antes de ir direto ao ponto. Já aconteceu, por exemplo, de a vítima dizer que está tudo bem, e a gente ficar sabendo por vizinhos que ela está sendo ameaçada por telefone”, conta uma das policiais que trabalha na patrulha, soldado Sandra Mara Pretto.

Os locais de Santa Maria com o maior número de casos são o loteamento Alto da Boa Vista, no bairro Nova Santa Marta, e o bairro Parque Pinheiro Machado – os dois na região oeste. De acordo com o responsável pela patrulha no município, tenente Leandro Neves de Oliveira, a maioria dos casos são de violência do marido contra a mulher, mas também há problemas de agressividade por parte do filho. Ele afirma que a demanda em Santa Maria é bem maior, mas que esses são os casos mais graves encaminhados pela Justiça e pela Delegacia da Mulher após triagem.

A Patrulha Maria da Penha atua de segunda a sexta-feira, com eventuais ações nos finais de semana. A média é de, no máximo, dois dias para fiscalizar as medidas, já que sempre são encaminhadas com urgência.

Desde dia 21 de janeiro, Santa Maria conta também com o Juizado da Violência Doméstica, que promete dar mais agilidade aos processos de violência contra a mulher. O Juizado iniciou os trabalho com demanda de 2,5 mil processos.

Bibiana Dihl

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