“Violência contra as mulheres é uma injustiça na sociedade brasileira”, diz ONG feminista (Portal Brasil – 27/10/2015)

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Para Instituto de Bioética Anis, repercussão do assunto mostra como mudanças no campo da desigualdade de gênero são lentas no País

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2015 colocou em discussão a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Mas, na opinião da pesquisadora Debora Diniz, do Instituto de Bioética Anis, ONG feminista e de promoção dos direitos humanos de mulheres e minorias, a escolha do assunto para o exame não possui cunho ideológico.

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Em entrevista ao Portal Brasil, Debora afirma que o reconhecimento da igualdade de gênero é uma forma de ingresso na vida adulta e de exercício de cidadania.

“Acerta o Enem quando coloca uma questão de posicionamento, de argumentação, de que a violência contra as mulheres é um equívoco, um erro, uma imoralidade, uma injustiça na sociedade brasileira”, resumiu a pesquisadora.

Professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) , ela avalia ainda que o objetivo era fazer com que os candidatos se posicionassem sobre um problema grave.

“O tema da redação do Enem desse ano, ‘A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira’, não era uma pergunta, se a violência deve ou não continuar”, analisa. “‘Persistência’ quer dizer que algo de muito errado está em curso. E a pergunta feita aos jovens estudantes é como se posicionar”, completa.

A professora da UnB observa também que a repercussão em torno da proposta de redação mostra “como as mudanças no campo da desigualdade de gênero são lentas no País”.

“Só que isso tem implicações imediatas para a vida concreta das mulheres e das meninas. Quando o Enem lança um tema como esse e a repercussão que tem são apenas um alerta de que nós temos, com muita urgência, falar de gênero, falar de igualdade entre homens e mulheres nas escolas”, conclui Debora.

Educação

Na opinião de Debora, escola constitui espaço fundamental na formação da cidadania, na ordem jurídica e na política brasileira. A desigualdade entre homens e mulheres, defende ela, tem de ser enfrentada em sala de aula.

“É ali, onde os temas mais delicados, perpetuados pelas casas, pelas ruas, pelas famílias, que eles têm que ser enfrentados. A desigualdade de gênero tem que ser enfrentada pela escola”, explicou.

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