Violência doméstica aparece entre as principais causas de feminicídio (Jornal de Santa Catarina – 04/05/2016)

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Silvana, Kátia, Neiva e Juliana tiveram a vida violentamente interrompida. As quatro mulheres com idades entre 30 e 46 anos representam um quarto dos homicídios ocorrido em Blumenau neste ano. Para o delegado regional Rodrigo Marchetti, é uma característica da cidade ter índices consideráveis de violência doméstica e crimes passionais. Em um dos casos mais emblemáticos deste ano, Juliana foi morta no mês passado vítima de golpes de machadinha desferidos pelo namorado, que até hoje está foragido.

Tradicionalmente os crimes contra a vida ainda são majoritariamente passionais. Mas os índices daqui são considerados mais civilizados em comparação com outras regiões avalia Marchetti.

Para o professor de Direito Penal e Processo Civil da Uniasselvi em Blumenau, Antônio Carlos Rodrigues da Costa, o combate ao feminicídio e à violência doméstica no país ainda têm muito a avançar e, para isso, a sociedade brasileira precisa enfrentar um caminho tortuoso e longo.

Não é uma lei e um decreto que irão alterar a conduta e o comportamento das pessoas. É preciso uma consciência da sociedade sobre essa violência que é entre paredes e que ninguém vê analisa.

Falta estrutura específica, critica coletivo feminista

A articuladora do Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana, Georgia Martins Faust, acredita que o poder público vem se omitindo do debate. Ela diz que até hoje não existe na estrutura estadual uma secretaria voltada aos direitos das mulheres, nem um conselho de políticas públicas para as mulheres em Blumenau.

O simples fato da não existência dessas instituições já é sintomático. Mostra o valor que Estado e município dão para essas questões, ou seja, nenhum.

Para ela, a atuação da Delegacia da Mulher também é limitada:

Quase todos os feminicídios que aconteceram em Blumenau foram denunciados. Esse crime nunca acontece de repente, é sempre avisado e existem ameaças antes. Só que a delegacia de proteção à mulher na cidade é mal estruturada. Abriu-se para o atendimento de idosos e crianças e perdeu-se a questão do atendimento especializado.