Violência doméstica: atendimento em hospitais públicos colabora para denúncias (A Crítica – 09/03/2016)

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De acordo com o Mapa de Violência contra a Mulher, divulgado no ano passado, 2.431 mulheres procuraram os prontos socorros do Amazonas após sofrerem algum tipo de violência em 2014

O atendimento dado às mulheres que procuram os hospitais após sofrerem violência doméstica ou sexual pode influenciar a decisão da vítima de denunciar o agressor. De acordo com o Mapa de Violência contra a Mulher, divulgado no ano passado, 2.431 mulheres procuraram os prontos socorros do Amazonas após sofrerem algum tipo de violência em 2014, o segundo maior índice da região Norte.

Assistente social Gabriele Reis conta que existem dois tipos marcantes de vítimas que procuram os hospitais (Divulgação/Assessoria Delphina Aziz )

Assistente social Gabriele Reis conta que existem dois tipos marcantes de vítimas que procuram os hospitais (Divulgação/Assessoria Delphina Aziz )

Coordenadora de assistência social do Pronto-Socorro (PS) do Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, Gabriele Reis, explica que existem dois tipos marcantes de vítimas que procuram os hospitais. “Algumas chegam envergonhadas por causa violência que sofreram, sentindo-se diminuídas perante a presença do homem. Outras chegam revoltadas, principalmente àquelas que sofreram violência pela primeira vez. Mas este é só o momento inicial. Depois a fragilidade toma conta delas”.

É neste momento que os profissionais da saúde devem ser pacientes e fazer a vítima se sentir segura, conforme explica a especialista. “Nós não podemos obrigar a vítima a denunciar, mas o acolhimento que esta mulher recebe pode ajudá-la a tomar uma decisão. É preciso tratar o problema de uma forma natural e orientá-la, deixando a paciente a vontade para pedir ajuda”, ressalta

A profissional alerta que mulher precisa saber que existe uma rede de proteção para se sentir segura, uma vez que aproximadamente 20% das mulheres agredidas fisicamente pelo marido no Brasil permanecem em silêncio, segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Denúncias aumentam

A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) contabilizou no ano passado, em comparação a 2014, aumento de 44,74% no número total de relatos de violência e de 129% no número de relatos de violência sexual (estupro, assédio, exploração sexual), com a média de 9,53 registros por dia no Brasil.
Do total de 3.478 relatos de violência sexual registrados em 2015, 2.731 eram de estupro (78,52%); 530 de exploração sexual (15,24%); e 217 de assédio sexual no trabalho (6,24%). O balanço nacional foi divulgado ontem.

Atividades sociais

Diversas atividades sociais voltadas para o público feminino estão programadas para acontecer nesta semana. A Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB/AM) lançou ontem a Semana da Mulher com a com a palestra “A Ordem É Quebrar O Silêncio”. Nos dias 10 e 11 de março, haverá atendimento jurídico gratuito na Delegacia da Mulher, localizada na Av. Humberto Calderaro. A ação será realizada entre 8h e 16h.

Já a Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab) promove uma programação especial na sede do SINE/AM, localizado na Avenida Joaquim Nabuco, nº 878, Centro. As atividades se estendem até a próxima sexta-feira, dia 11. Durante os quatro dias a secretaria irá disponibilizar guichês preferenciais, das 8h às 17h.

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