Violência doméstica: Sobradinho conjuga intervenção psicossocial com responsabilização criminal (MPDFT – 14/03/2016)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Mais de 80% dos homens aceitaram acompanhamento psicossocial, mostrando-se sensibilizados quanto ao tema

As Promotorias de Justiça de Defesa da Mulher de Sobradinho e o Setor de Análise Psicossocial (Setps) realizaram na última sexta sexta-feira, dia 11, mais um evento de acolhimento a homens autores de violência doméstica contra a mulher. O objetivo é ofertar aos envolvidos nesses crimes um espaço de intervenção psicossocial que favoreça reflexões de gênero e mudanças de comportamento sem deixar, contudo, de responsabilizá-los criminalmente pelo delito.

Para a titular da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher de Sobradinho, Danielle Martins, o acompanhamento psicossocial é necessário para atingir as raízes da violência de gênero. “O sistema de Justiça é um lugar privilegiado para que isso se efetive. Porém, tal tipo de intervenção não deve excluir a resposta penal. A condenação possui uma dimensão simbólica importante, pois sinaliza concretamente que a violência não será aceita pela mulher nem tolerada pelo Estado, servindo como um importante fator de prevenção”, destaca.

Como funciona – No momento do oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, é solicitado ao Setps o acolhimento do réu de forma a sensibilizá-lo para questões da violência de gênero, no intuito de favorecer a sua adesão voluntária a acompanhamento psicossocial subsequente e continuado, ofertado por meio da parceria com o Núcleo de Atendimento a Famílias e Autores de Violência Doméstica (Nafavd). Para o titular da 3ª Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher de Sobradinho, Amom Albernaz, não é possível reconstruir paradigmas em um único encontro, sendo essencial a vinculação desses homens a um serviço de natureza continuada. “Nesse espaço, os homens são instigados a refletir sobre os efeitos da socialização machista. Acabam por perceber que essa socialização que legitima a violência de gênero traz prejuízos de várias ordens, não somente às mulheres, em especial no contexto doméstico, mas também causa um impacto nocivo enorme para eles próprios, em diversas dimensões da vida social”, ressalta.

No último levantamento de dados realizado, em 2015, verificou-se que 81,94% dos homens que compareceram ao acolhimento do Setps aceitaram a proposta de inserção em acompanhamento psicossocial pelo Nafavd, mostrando-se sensibilizados quanto ao tema e dispostos a repensar concepções e condutas. Além dos ganhos pessoais decorrentes do acompanhamento psicossocial, o comparecimento regular do réu poderá servir para fins de atenuante de pena eventualmente imposta.

Acesse no site de origem: Violência doméstica: Sobradinho conjuga intervenção psicossocial com responsabilização criminal (MPDFT – 14/03/2016)