Violência já atingiu 10 mil mulheres na Bahia (Tribuna da Bahia – 28/05/2016)

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Na Bahia, conforme os dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), dos 9.795 casos de violência contra a mulher registrados nos três primeiros meses deste ano

O estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro nesta semana, feito por 33 homens, mobilizou comunidades feministas em todo o País, através das redes sociais e também instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil e a Organização das Nações Unidas. A adolescente foi estuprada após ter sido dopada, e além da violência sexual, teve fotos e vídeos, tiradas pelos criminosos, publicadas nas redes sociais. A polícia do Rio de Janeiro já identificou e solicitou a prisão de quatro suspeitos.

A repercussão negativa nas redes sociais fez com que o presidente da República em exercício, Michel Temer, anunciasse, por meio de sua conta no Twitter, a criação de um departamento na estrutura da Polícia Federal para coordenar o combate a crimes contra a mulher. O novo departamento, que vai funcionar como uma espécie de Delegacia da Mulher, vai agrupar informações das secretarias de segurança nos Estados e coordenar ações em todo país.

Na Bahia, conforme os dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), dos 9.795 casos de violência contra a mulher registrados nos três primeiros meses deste ano, 576 foram de estupros, dos quais 110 deles ocorridos em Salvador. Em todo o ano passado a Bahia registrou 2.549 estupros, dos quais 531 ocorreram em Salvador. A violência contra a mulher também é demonstrada nos 3.349 casos registrados de lesões corporais dolosas, aquela em que o agressor tem a intenção de ferir.

O exemplo mais flagrante desse tipo de violência contra a mulher foi o assassinato da professora Sandra Denise Costa Alfonso, 40, pelo próprio marido, o major do Corpo de Bombeiros, Valdiógenes Almeida Junior, 45, no último dia 13, no interior de uma escola, no bairro de Castelo Branco, periferia de Salvador, chamou a atenção pelo significado do episódio junto à população, que viu perplexa o crime ser cometido sob a alegação de passionalidade.

Números elevados

Somente nos três primeiros meses deste ano, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia contabilizou 80 mulheres que foram assassinadas por seus companheiros. E outras 73 tentativas de homicídios também cometidos por homens. Os crimes contra as mulheres não escolhem idade e alguns envolvem adolescentes, como a garota de 17 anos que apos ter sido agredida pelo companheiro em 14 de janeiro, e permanecer internada no Hospital Geral do Estado, veio a morrer no dia seguinte. O criminoso, que tem 24 anos está foragido.

O elevado grau de violência, com homicídios e tentativas de homicídios, chama a atenção da titular da Delegacia de Atendimento à Mulher, Vânia Nunes, que aponta como as principais razões o machismo e a intolerância masculina que se fazem presentes nos relacionamentos. “O companheirismo respeitoso ainda não está internalizado na maioria dos homens, que se sentem donos das ações da mulher e não compreende que os direitos que ela tem”, diz.

No mês passado uma jovem grávida foi vítima de agressões por parte do companheiro e teve que ser internada no Hospital Base de Vitória da Conquista, Sudoeste da Bahia. A jovem, identificada como Jéssica Nascimento, de 21 anos, foi espancada pelo namorado, que foi preso em flagrante, mas liberado após pagamento de fiança e responde por crime de lesão corporal em liberdade.

Para a Delegada Titular da DEAM de Periperi, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, Vânia Nunes, por detrás das alegações de crimes por motivo passional, no ciúme esconde-se uma cultura machista ainda bastante forte em diversos relacionamentos. Ela cita que a maioria dos casos que dão entrada na delegacia, o agressor não assume a culpe pelos atos, transferidos para a vítima. “Costumam dizer que o crime teve motivação passional, quando na verdade é o ,machismo a principal causa”, diz.

Ainda na análise da delegada, não existe um perfil do agressor por classes sociais e grau de escolaridade, o mesmo acontecendo com o perfil das vítimas. “O agressor por estar em todas as camadas sociais, pois trata-se de uma cultura machista ainda não internalizada, e as vítimas, vítimas dessa educação, vão de adolescentes , que têm um mês de relacionamento, até casais que têm dezenas de anos de convivência”, disse.

Adilson Fonseca

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