Vítimas de feminicídio ganham painel no Piauí; 50 assassinatos em um ano e meio (G1 – 08/08/2017)

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Registro das mortes por questões de gênero ainda é difícil por inquéritos sem a devida qualificação. Painel com imagens de vítimas entra em exposição dia 11 de agosto.

Desde que passou a valer a qualificadora do feminicídio, em março de 2015, o Piauí já registrou 50 casos. O feminicídio é uma qualificadora para o crime de homicídio praticado, tipificado quando ocorre contra mulheres por razões de gênero. O levantamento foi realizado pela Diretoria de Gestão Interna da Secretaria da Segurança Pública do Piauí considerando um ano e meio após a entrada em vigor da lei e resultará em um painel com imagens das vítimas no estado.

Segundo a delegada Eugênia Villa, responsável pela diretoria da Secretaria de Segurança, ainda há dificuldades para tipificar o feminicídio nos inquéritos policiais. “Estamos levantando dados porque não é tão simples. A gente tem de analisar inquérito por inquérito para verificar em que medida é um feminicídio”, comentou a delegada. Um painel será montado no dia 11 de agosto em Teresina com representações de 27 vítimas de feminicídio no Piauí.

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“Foram 84 assassinatos de mulheres e foram 50 feminicídios e nós estamos retratando 27 a partir do estudo de inquérito por inquérito. São vivências de como foi o crime”, destacou a delegada Eugênia Villa. Os dados consideram crimes até um ano e meio depois da sanção da lei. “O nosso recorte é de 10 de março de 2015, da entrada em vigor da lei, até 30 de agosto de 2016. Um ano e seis meses. A partir de agora estamos fazendo o mapa restante e não é fácil”, afirmou a delegada.

No novo mapa deve ser incluído o registro da morte da estudante Iarla Lima pelo ex-tenente do Exército Brasileiro, José Ricardo Silva Neto. Namorado da estudante, ele disparou contra ela em um bar da capital.

Além do painel a ser instalado no dia 11, com a colaboração de 27 artistas plásticas piauienses, haverá também um painel eletrônico relembrando as mulheres assassinadas por razões de gênero. “Outro painel com entrevistas relacionadas será lançado em parceria com o coletivo Salve Rainha”, relatou Eugênia Villa.

Delegados ainda “evitam” feminicídio

O estudo de cada inquérito é justificado porque ainda há enquadramentos diferentes pelos delegados. “Às vezes o delegado indicia no artigo 121, sobre homicídio. A gente tem de ler lá dentro do inquérito para ver se trata do feminicídio”, reforçou Eugênia Villa acrescentando que há delegados que não colocam no inquérito o feminicídio.

De acordo com a delegada ainda faltam estatísticas fidedignas. “Outras mulheres podem ser assassinadas na rubrica do feminicídio, mas não deixaram claro o verbete feminicídio”, explicou a delegada.