Vítimas de violência doméstica contam como superaram anos de traumas sofridos (A Critica – 13/08/2016)

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Livres, belas e emponderadas. É desta forma que mulheres que superam anos de violência doméstica se sentem depois de terem denunciado seus agressores. Apesar dos traumas psicológicos e físicos, elas tentam seguir adiante sem olhar para trás, em busca de reescreverem uma nova história. “Me sinto outra mulher. Ter tomado essa iniciativa foi a melhor coisa que já fiz”, conta a técnica em enfermagem Diana Maia, 38, após viver um relacionamento abusivo.

Ela e mais nove mulheres participaram do lançamento da campanha “Compromisso e Atitude! 10 anos da Lei Maria da Penha”, que aconteceu na manhã de ontem, no 13º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde também funciona a Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher – Anexo (DECCM-Anexo), no bairro  Cidade de Deus, Zona Norte de Manaus.

Uma exposição de fotos de mulheres que venceram a violência doméstica foi montada e atraiu os olhares da comunidade.  “A exposição de fotos mostra mulheres  que viveram situações de violência doméstica e hoje estão livres e felizes, demonstrando nas fotos o rosto de alegria, a situação de não violência”, comentou a delegada titular da DECCM, Débora Mafra.

As mulheres conversaram com a população, deram apoio a outras mulheres e falaram sobre violência doméstica. “Elas são provas de que a denúncia é um passo importante para elas voltarem a ser felizes”, complementou a delegada. A atividade envolveu visitas às casas da comunidade, panfletagem e adesivamento de carros, alertando sobre a Lei Maria da Penha, que completou 10 anos no último domingo.

‘Obsessão’

Diana conta que viveu um relacionamento regado a abuso psicológico e de ameaças. “É uma situação muito triste, pois convivi com abuso e até tentativa de homicídio. Pois ele dizia que ia me matar se me visse com outro homem. Hoje tenho um outro namorado, mas aquele trauma sempre fica. A gente anda na rua com cuidado, com medo de ser perseguida. Porém, estou superando todos os dias e não me arrependo de ter denunciado”, completou Diana.

Livre do companheiro

Assim como ela, a enfermeira Vanilda de Fátima Muniz, 48, também se livrou de um companheiro que a agredia verbalmente e fisicamente. Ela foi casada durante 25 anos e há pelo menos 15 anos sofria violência doméstica.

“No começo as agressões eram verbais, onde ele me diminuía como mulher, como profissional e como pessoa. Fui me abatendo e até entrei num quadro de depressão. Depois as agressões foram físicas. Ele me chutava, dava tapa, tacava o chinelo em mim. No final do ano passado tomei coragem de denunciar”.

Decisão difícil para as mulheres

Ainda que seja uma decisão difícil para as mulheres, principalmente quando elas têm filhos com o ex-companheiro, a delegada Débora Mafra ressalta que a maioria consegue superar a violência.

“Elas percebem que viver livre é melhor que ser agredida. Algumas voltam sim para o companheiro agressor, mas também há casos de homens que se conscientizam. Ele vêm até a delegacia e percebem que estão errados, se conscientizam e param de ser agressores. Esse é, na verdade, nosso maior objetivo.  Não queremos a destruição da família, mas sim a reconciliação. Porém, existem casos que obviamente não há como tentar e nós temos que retirar essa mulher da situação de violência e tratar o agressor separadamente”.

No Amazonas, 17 mil processos tramitam no 1º e 2º Juizados Especializados no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, segundo o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM).

No primeiro semestre deste ano, foram mais de cinco mil ocorrências registradas na Delegacia Especializada de Crimes contra a Mulher.

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