Vitória já tem mais de 30 casos de estupro de mulheres em 2016 (G1/Espírito Santo – 15/06/2016)

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Para delegada, dado assusta, já que em todo ano de 2015 foram 40 casos. Arminda Rodrigues participou de debate sobre violência contra mulher

Vitória já registrou mais de 30 casos de estupro de mulheres em 2016, segundo a delegada da Delegacia Especializada da Mulher da capital do Espírito Santo, Arminda Rodrigues. A delegada foi uma das participantes de um encontro que discutiu ações para reduzir a violência contra a mulher. O debate aconteceu no auditório da Rede Gazeta, na manhã desta quarta-feira (15).

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A delegada explicou que o número assusta já que em todo o ano de 2015 foram registrados 40 casos. “O estupro é um crime invisível, de muita dor. Nós ainda temos dificuldade para apurar esse tipo de crime, porque a vítima encontra dificuldades em falar com a polícia. Se só até maio a gente já registrou 30 casos, assusta o que ainda pode ser registrado até o fim do ano. Esperamos que isso não aconteça”, pontuou.

Debate aconteceu no auditório da Rede Gazeta, em Vitória (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Debate aconteceu no auditório da Rede Gazeta, em Vitória (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Sobre o aumento no número de casos, Arminda acredita que isso acontece porque as mulheres estão procurando mais a delegacia para denunciar esse tipo de crime. “As mulheres estão falando mais sobre esse tipo de violência. Na minha delegacia, nós tentamos fazer com que o processo não faça com que a vítima relembre toda a violência que sofreu”, completou a delegada.

Para a especialista em Ciências Criminais, Carmen Hein, há estudos que comprovam que a maior divulgação dos casos pode permitir o aumento do número de denúncias. “Quando um grande caso de estupro ganha espaço, por exemplo, quando vemos muitas reportagens, campanhas de conscientização, o número de denúncias aumenta”, explicou.

Debate

A delegada e a especialista participaram do evento que discutiu propostas para reduzir a incidência de violência contra a mulher. Também estiveram presentes o o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia; a juíza Herminia Azoury, coordenadora estadual de enfrentamento à violência doméstica e familiar; e a psicóloga Adriana Muller.

Entre as propostas defendidas no debate, está a mudança de postura da sociedade em relação à temática da igualdade de gênero. “Temos que tomar consciência de que vivemos em uma sociedade machista. Todos os contextos sociais passam por isso, seja a escola, o trabalho, a igreja, em casa, etc. Não vamos e não podemos disseminar a cultura machista”, afirmou a psicóloga Adriana Muller.

A psicóloga também acredita que o agressor encontra certa legitimidade para agir por conta da cultura machista. “A gente vive em uma sociedade machista e isso não é novidade para ninguém. Isso é uma atitude do agressor e ele acha que tem legitimidade para tanto. Tem dificuldade de auto controle. O machismo tem que se tornar obsoleto para que as pessoas tenham vergonha de reproduzir isso”, completou.

Ainda sobre as propostas, a juíza Herminia Azoury acredita que a inserção profissional da mulher agredida no mercado de trabalho pode ajudar a empoderar as vítimas. “Muitas dessas mulheres vivem em uma situação de submissão, vivem dependentes do agressor. Nós temos que colocar essas mulheres nas empresas, trabalhando para terem autonomia”, disse.

Já o secretário de Segurança Pública do estado, André Garcia, afirma que é preciso atuar em duas frentes: na prevenção e na repressão. “Primeiro a gente tem que atuar na prevenção desse tipo de crime, com promoção de oficinas, patrulha, educação; e na repressão qualificada. Não pode ficar impune. O sistema tem que funcionar”, completou.

Viviane Machado
Do G1 ES

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