Wilma Alves: “2015 foi marcado por crimes com requinte de perversidade” (Capital Teresina – 14/01/2016)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Segundo a delegada, aumentou o índice de mulheres que começam a entender não ter culpa das agressões

“Olha, 2015 foi o ano marcado por crimes com requinte de perversidade”, é o que afirma a delegada Vilma Alves, da Delegacia Especializada da Mulher. Ela fez um balanço do ano passado, falou sobre as principais ocorrências e comemorou conquistas importantes, como a aprovação da lei que trata do feminicídio.

A delegada informou que violência contra a mulher acontece em todos os espaços, em todos os níveis sociais e de diversas maneiras. “De homem que passou o carro por cima da mulher e de um colega porque ela disse que não queria mais o relacionamento; passando por casos de estupro em pleno dia, até de uma senhora que teve o nariz quebrado por um soco”, elencou Wilma Alves. “Essa mulher tinha acabado de acordar, estava ainda levantando da cama e foi surpreendida pelo soco do marido. Casos como esse nos mostram a natureza feminicida desses atos de violência”, completou.

Para Wilma Alves, mesmo diante do medo por desses atos de perversidade, as vítimas têm buscado cada vez mais a Delegacia da Mulher. “As mulheres não são mais aquelas, elas estão empoderadas, elas estão vindo mais agora, seja de beliscão a xingamento, passando por agressões mais graves, estão vindo para cá buscar apoio, registrar a violência que sofrem”, relatou.

Conquistas

Mas 2015 não foi marcado apenas pelas atrocidades cometidas contra as mulheres. Wilma Alves considera a aprovação da lei do feminicídio uma importante vitória. A lei 13.104 de 09 de março de 2015 altera o artigo 121 do Código Penal de 1940, que passa a prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio; e o art. 1º da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes hediondos.

“Se matava mulher por ser mulher e ficava por isso mesmo, mas agora com esta nova oportunidade de defesa da vida. Eu acho e tenho plena certeza de que o crime de feminicídio não vai ser um crime simples, vai ser hediondo”, defendeu. “Este agressor vai ser preso e não vai voltar imediatamente usando as questões da própria lei, do princípio da primariedade. Ele matou uma mulher, esta mulher é mãe, é filha, é esposa, é profissional, essa mulher é uma cidadã, um ser humano. O assassino tem que pagar de uma forma justa”, enfatizou a delegada.

“A Constituição garante o direito à vida. A lei Maria da Penha diz que quer uma mulher feliz. O medo e a culpa são muito comuns, mas cada vez mais está melhorando o índice de mulheres que começam a entender que a culpa não é dela. A violência é machista”, analisou. “E é isso que tem que acontecer, a mulher sair do cárcere, divulgar a nova cara, o novo perfil da mulher. Ser feliz é que é o importante”, finalizou Wilma Alves.

Míriam Gomes

Acesse no site de origem: Wilma Alves: “2015 foi marcado por crimes com requinte de perversidade” (Capital Teresina – 14/01/2015)